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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Dom Schneider: Deus precisa de “simples fiéis” para proteger a fé neste tempo de crise



Em tempos de crise profunda a Divina Providência gosta de usar os mais simples e humildes para demonstrar a indestrutibilidade da Sua Igreja

  Bispo Athanasius Schneider falando na sede da HLI

Claire Chretien – HUNGRIA, 22 de abril, 2016 (LifeSiteNews) | Tradução Sensus fidei: A Igreja Católica está enfrentando uma confusão interna generalizada sobre a doutrina e a moral e Deus pode usar os leigos para preservar a integridade da Igreja, disse Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar da diocese de Maria Santíssima em Astana, Cazaquistão, em entrevista.



Schneider falou de problemas com as conferências episcopais focadas em assuntos “terrenos” ao invés de assuntos “eternos”, lamentou as vozes discordantes dos bispos sobre temas de moralidade sexual, e deplorou a noção de uma desconexão entre a doutrina e a prática pastoral do Cardeal Kasper. Schneider também criticou Kasper por seu “abuso [de] o conceito de misericórdia.”

Na abrangente entrevista com o húngaro Dániel Fülep, Schneider discutiu o recente Sínodo sobre a Família, vários temas teológicos incluindo o diálogo inter-religioso e a liturgia, e várias facetas da “crise” que a Igreja enfrenta.

“O grupo do cardeal Kasper e esses clérigos que apoiam sua teoria, interpretam mal e abusam do conceito de misericórdia, introduzindo a possibilidade de que Deus perdoa, mesmo quando não temos a firme intenção de arrependimento e de evitar o pecado no futuro”, disse Schneider, que ainda não comentou a exortação pós-sinodal Amoris Laetitia do Papa Francisco. “Em última análise, isso significa uma completa destruição do verdadeiro conceito de misericórdia divina. Tal teoria diz: você pode continuar no pecado, Deus é misericordioso. Isto é uma mentira e de certa forma também um crime espiritual, porque você está empurrando os pecadores para que continuem no pecado, e, consequentemente, para se perderem e se condenarem por toda a eternidade”.

Durante os últimos dois Sínodos sobre a Família, Kasper conduziu a carga para uma mudança oficial na abordagem da Igreja para aqueles em que considera situações objetivamente pecaminosas. Recentemente, ele disse que “parece claro” que Amoris Laetitia abre a porta para tais mudanças em determinadas circunstâncias.

Parágrafos no Relatório Final do Sínodo continha “uma objetivamente grave omissão” ao não declarar que a coabitação fora de um casamento válido é pecaminosa, disse Schneider.

“O Relatório Final diz indiretamente que para os divorciados recasados a culpabilidade de coabitação pode ser reduzida ou até mesmo não imputada por causa de algumas circunstâncias ou as paixões que eles sofrem”, disse ele.

Schneider continuou:

No entanto, a aplicação do princípio implícito para a coabitação fora do casamento está completamente incorreta. Aqueles que coabitam têm a intenção de cometer o pecado de forma contínua, por isso não é um ato imoral instantâneo. Eles devem ter a intenção de evitar atos sexuais fora do casamento. E, portanto, tal imputabilidade do pecado de coabitação poderia ser aplicada também à coabitação do jovem solteiro. Admitindo tal teoria, esses bispos anulam o sexto mandamento de Deus. E se esse princípio é aceito, nenhum dos pecados contra o sexto mandamento será considerado mais um pecado. Isto é, de alguma forma a abolição do sexto mandamento.
 
“Quando este Relatório Final afirma claramente a imoralidade da coabitação de pessoas divorciadas, quando não consegue estabelecer claramente a condição estabelecida por Deus para a recepção digna da Santa Comunhão,” disse Schneider: “outros irão usar essa falha para proclamar uma mentira, pelo que a sua voz será contra a verdade, assim como uma voz falsa na música é contra a verdade da sinfonia”.

Prelados progressistas alemães influenciaram o Relatório Final do Sínodo, e os líderes pró-família expressaram preocupação de que algumas das abordagens do relatório eram incongruentes com a doutrina moral católica.

Na esteira da Amoris Laetitia, vários clérigos, incluindo três bispos alemães, têm afirmado que uma nota de rodapé ambígua formulada permite a Sagrada Comunhão para divorciados recasados em certos casos.

A atual crise na Igreja, referida anteriormente por Schneider, é uma das quatro piores crises que a Igreja já enfrentou, e em grande parte é devida a “substituição da principal tarefa [da Igreja] com assuntos secundários”, afirmou. As conferências episcopais estão enleadas com preocupações mundanas, em vez de preocupações espirituais, disse ele.

De acordo com Schneider:

Temos observado por muitos anos que muitas das conferências episcopais oficiais lidam predominantemente com questões temporais e terrenas ao invés de sobrenaturais e eternas, embora estas últimas devem ser consideradas o mais importante na vida da Igreja. Para salvar as almas e levá-las para o céu: esta é a razão pela qual Cristo veio nos salvar e fundou a Igreja. Portanto, a Igreja tem que levar as pessoas para o Céu e transmitir a elas as verdades divinas, graças sobrenaturais e a vida de Deus… Lidam com assuntos temporais é até de governo… É claro que, com base na sua doutrina social, a Igreja pode aconselhar o governo para que a vida social seja mais orientada para a lei natural. Mas esta não é a principal tarefa da Igreja. É uma tarefa secundária.

A história da Igreja tem sido repleta de crises, disse Schneider, e Deus gosta de usar os “simples e humildes” para demonstrar a força duradoura da Igreja.

Ele disse:

Na história da Igreja, sempre houve momentos de uma profunda crise de fé e de moral. A crise mais profunda e mais perigosa foi, sem dúvida, a crise ariana no século IV. Foi um ataque mortal contra o mistério da Santíssima Trindade. Naqueles tempos foram praticamente os simples fiéis que salvaram a fé católica. Ao analisar essa crise, o Beato John Henry Newman disse que foi a “ecclesia docta” (que significa os fiéis que recebem a instrução do clero), em vez de os “ecclesia docens” (que significa os detentores do Magistério eclesiástico) que salvaram a integridade da fé católica no quarto século. Em tempos de crise profunda a Divina Providência gosta de usar os mais simples e humildes para demonstrar a indestrutibilidade da Sua Igreja.

Schneider falou antes sobre a necessidade dos leigos proclamarem a verdade, mesmo enfrentando a oposição de clero “semi-herético” que procura enlamear ou mesmo tentam mudar os ensinamentos de Cristo.

Schneider ofereceu também seus pensamentos sobre as conexões entre as expressões litúrgicas da fé e a sua influência na vida diária dos católicos e da sacralidade da Eucaristia.

As palavras de Schneider certamente deixam o leitor entrever o que o bispo ortodoxo terá a dizer sobre Amoris Laetitia e as interpretações progressistas do documento.

Observações completas da Schneider podem ser lidas aqui.

https://www.facebook.com/Irmandade-dos-Defensores-da-Sagrada-Cruz-224600517562367/

domingo, 22 de janeiro de 2017

Cardeal Burke: “É altamente questionável” dizer que católicos e muçulmanos adoram o mesmo Deus e que o Islã é uma religião de paz


Se “Deus é amor”, como Ele pode ser “o mesmo Deus que ordena aos muçulmanos para que abatam os infiéis e estabeleçam o seu domínio pela violência?”, perguntou Burke.


Cardeal Raymond Burke fala com LifeSiteNews Paris, correspondente Jeanne Smits em Roma. Imagem: Olivier Figueras / LifeSiteNews
Claire Chretien – LifeSiteNews | Tradução Sensus fidei: ROMA, Itália, 30 de agosto, 2016 – É “altamente questionável” dizer que católicos e muçulmanos adoram o mesmo Deus e que o Islã é uma religião de paz, afirmou o Cardeal Raymond Burke em uma coletiva de imprensa na segunda-feira.

Burke, um norte-americano, é o ex-prefeito da Signatura Apostólica, a mais alta corte do Vaticano. Ele agora é o patrono da Soberana Ordem Militar de Malta.

Burke estava a falar com a imprensa sobre Hope for the World: To Unite All Things in Christ, um livro-entrevista recém-publicado com o jornalista francês Guillaume d’Alançon em que o prelado reflete sobre uma série de temas controversos como a contracepção e sua relação com o aborto, banheiros transgêneros, a Sagrada Comunhão para casais divorciados recasados, e os problemas dentro da Igreja Católica.

Nostra Aetate, a declaração do Concílio Vaticano II sobre a relação da Igreja Católica com as outras religiões, “não é um documento dogmático”, disse Burke.

Burke estava respondendo a uma pergunta sobre se católicos e muçulmanos adoram o mesmo Deus e se os católicos são obrigados a acreditar na definição do Islã feita pelo Vaticano II.

“A Igreja vê com estima também os muçulmanos”, diz Nostra Aetate. “Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca… Esperam pelo dia do juízo, no qual Deus remunerará todos os homens, uma vez ressuscitados. Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum”.

O reconhecimento de que Nostra Aetate não é dogmática pode levar a Sociedade de São Pio X, um grupo tradicionalista com um estatuto canônico irregular, à plena comunhão com Roma. Muitos católicos veem o controverso documento do Vaticano II como incerto ou mesmo em desacordo com o ensinamento da Igreja sobre o Catolicismo ser a única fé verdadeira.

Se os católicos devem abraçar o Islã como uma religião de paz ou ser considerados dissidentes foi um tema recente do debate entre Robert Spencer de JihadWatch.org e Monsenhor Stuart Swetland do Donnelly College. As reivindicações de Spencer de que o Islã é inerentemente violento está em desacordo com os ensinamentos do magistério dos papas recentes. Os defensores de Spencer salientam que os papas tiveram diferentes opiniões sobre o Islã ao longo dos anos e que afirmar uma certa natureza do Islã não está relacionado com a moral e a fé católicas e, portanto, não é vinculativo para os católicos. Eles também dizem que os católicos devem consultar o próprio Islã para determinar a sua natureza.

Burke disse que muito da resposta de hoje ao Islã é influenciada por um relativismo religioso e sustenta que “todos nós estamos adorando o mesmo Deus” e “todos nós acreditamos no amor.”

Se “Deus é amor”, como Ele pode ser “o mesmo Deus que ordena aos muçulmanos para que abatam os infiéis e estabeleçam o seu domínio pela violência?”, perguntou Burke.

“Eu não acredito que seja verdade que todos nós estamos adorando o mesmo Deus”, disse Burke. “Dizer que todos nós acreditamos no amor simplesmente não é correto.”

“Tudo o que eu disse sobre o Islã, incluindo especialmente o que está no livro, é baseado em meus próprios estudos dos textos do Islã e também dos seus comentaristas”, disse o cardeal. O relativismo religioso que iguala o ensino católico e muçulmano sobre a natureza de Deus não “respeitam a verdade” sobre o que cada religião ensina, disse ele. “Isto não é útil.”

“Examinemos cuidadosamente o que o Islã é e o que a nossa fé cristã nos ensina”, disse Burke, porque não são a mesma coisa.

“Nada mudou na agenda islâmica desde os tempos anteriores de nossos antepassados” tiveram de defender a Cristandade de ataques de muçulmanos, disse Burke. “Eles viram que o Islã estava atacando a verdade sagrada.”


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

"O Ocidente tornou-se o túmulo de Deus", denuncia o Cardeal Sarah



A verdadeira crise que enfrenta o nosso mundo agora não é essencialmente econômica ou política, mas uma crise de Deus e ao mesmo tempo uma crise antropológica", escreve o Cardeal Robert Sarah prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, numa reflexão publicada na última edição da revista 'Vita e Pensiero', divulgada hoje. "Claro, hoje falamos apenas da crise econômica: no desenvolvimento do poder da Europa - depois das suas orientações religiosas e éticas originárias - o interesse econômico tornou-se determinante e cada vez mais exclusivo."



"A cultura ocidental - escreve Sarah - foi gradualmente sendo organizada como se Deus não existisse: muitos hoje decidiram prescindir de Deus. Como diz Nietzsche, para muitos no Ocidente, Deus está morto E fomos nós que O matámos, nós somos os seus assassinos e as nossas igrejas são as criptas e os túmulos de Deus. 

Um grande número de fiéis já não as frequentam, já não vão mais à igreja, para evitar sentir a putrefacção de Deus; mas ao fazê-lo, o homem já não sabe quem é nem para onde deve ir: há uma espécie de retorno ao paganismo e idolatria; a ciência, a tecnologia, o dinheiro, o poder, o sucesso, a liberdade até o amargo fim, os prazeres sem limites são, hoje, os nossos deuses."

É, então, necessário alterar a perspectiva, explica o cardeal guineense: "Devemos recordar que é em Deus que vivemos, nos movemos e existimos (At 17, 28). É n'Ele que tudo subsiste. Ele é o Princípio, n'Ele habita toda a Plenitude, diz-nos São Paulo; fora d'Ele nada existe: tudo encontra o seu próprio ser em Deus e a sua própria verdade, ou Deus ou nada.

Certo, existem problemas enormes, situações muitas vezes dolorosas, uma existência humana difícil e angustiante; ainda assim, devemos reconhecer que é Deus que dá sentido a tudo. As nossas preocupações, os nossos problemas, os nossos sofrimentos existem e preocupamo-nos, mas nós sabemos que se resolvido n'Ele, sabemos que é Deus ou nada, e percebemo-lo como uma evidência que se nos impõe não a partir do exterior, mas do interior da alma, porque o amor não se impõe pela força, mas seduzindo o coração com uma luz interior."

Matteo Matzuzzi in Il Foglio

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