Nosso Canal

terça-feira, 20 de agosto de 2013

São Bernardo - Primeiro Sermão sobre a Assunção de Nossa Senhora

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e Doutor da Igreja
1º Sermão para a Assunção
 (a partir da trad. Pain de Cîteaux 32, p. 63 rev.)


 “Em Cristo, todos serão vivificados, cada qual na sua ordem” (1Cor 15, 22-23) Hoje a Virgem Maria sobe, gloriosa, ao céu. É o cúmulo de alegria dos anjos e dos santos. Com efeito, se uma simples palavra sua de saudação fez exultar o menino que ainda estava no seio materno (Lc 1, 44), qual não terá sido sido o regozijo dos anjos e dos santos, quando puderam ouvir a sua voz, ver o seu rosto, e gozar da sua presença abençoada! E para nós, irmãos bem-amados, que festa a da sua assunção gloriosa, que motivo de alegria e que fonte de júbilo temos hoje! A presença de Maria ilumina o mundo inteiro, a tal ponto resplandece o céu, irradiado pelo brilho desta Virgem plenamente santa. Por conseguinte, é justificadamente que ecoa nos céus a ação de graças e o louvor.


Ora [...], na medida em que o céu exulta da presença de Maria, não seria razoável que o nosso mundo chorasse a sua ausência? Mas não, não nos lastimemos, porque não temos aqui cidade permanente (Heb 13, 14), antes procuramos aquela aonde a Virgem Maria chegou hoje. Se já estamos inscritos no número de habitantes dessa cidade, convém que hoje nos lembremos dela [...], compartilhemos a sua alegria, participemos nesta alegria que hoje deleita a cidade de Deus; uma alegria que depois se espalha como o orvalho sobre a nossa terra. Sim, Ela precedeu-nos, a nossa Rainha, precedeu-nos e foi recebida com tanta glória que nós, seus humildes servos, podemos seguir a nossa Rainha com toda confiança gritando [com a Esposa do Cântico dos Cânticos]:


“Arrasta-me atrás de ti. Corramos ao odor dos teus perfumes!”(Ct 1, 3-4) Viajantes sobre a terra, enviamos à frente a nossa advogada [...], a Mãe de misericórdia, para defender eficazmente a nossa salvação.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Por que os bons sofrem?

Rycerz Niepokalanej, II-1924, ps. 19-20

Anteontem, o senhor N.N. me pôs a seguinte pergunta:
“Normalmente, os bons sofrem, enquanto que, com frequência, os maus levam vida larga. Onde está a justiça?”.

São Maximiliano Kolbe 


“Deus é infinitamente justo, verdade?”.

“Sim, claro”.

“De outro modo não seria Deus. Por conseguinte, Ele tem que recompensar toda obra boa e castigar toda obra má. Nenhuma obra, nenhuma palavra, nenhum pensamento escapará do seu juízo.

Atualmente, existe no mundo uma só pessoa, ainda que seja a pior de todas, que nunca faça algo bom?”.

“Claro que não”.

“Pois bem, ao menos alguma vez cada um cumpre bem seu próprio dever, ou mostra compaixão para com o próximo, ou consegue realizar alguma outra coisa boa. Se este homem viveu tão mal que, depois de sua morte, merece o inferno, quando Deus o recompensará por aquele pouco de bem que fez?…
Quando?…”.

“No outro mundo”.

“Ali, porém, o espera só o inferno”.

“Então neste…”.

“Ademais, existe acaso uma só pessoa, mesmo que seja a melhor de todas, que não tenha feito algum mal?”.

“Tampouco existe uma pessoa assim”.

“E é a verdade, já que ‘o justo cai sete vezes’ [Pr 24,16] ao dia. Por isso, se Deus quer abreviar-lhe o Purgatório ou conceder-lhe de imediato o Paraíso, quando terá lugar o ‘saldo da conta’?”.

“Ah, deve ser precisamente assim!…”.

“Deus manifesta um amor particular precisamente àqueles que castiga já neste mundo, pois no Purgatório só há um longo e pesado castigo, enquanto que, se aceitamos voluntariamente as cruzes neste mundo, mereceremos uma glória ainda maior no Paraíso. Daqui também o ditado: Deus ama àquele que faz sofrer”.

Não se deve invejar, pois, àquelas pessoas más que desfrutam de uma vida feliz; estes, antes, deveriam temer que isso possa ser já a recompensa pelo pouco de bem que realizaram.

M.K.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pio XII, "pai solícito e providente"

Em carta ao vigário-geral de Roma, Francisco reconhece o heroísmo do venerável Pio XII, que conduziu a Igreja durante os horrores da Segunda Guerra Mundial
 
Depois do reconhecimento das virtudes heroicas do Papa Pio XII, em 2009, por iniciativa de Bento XVI, foi a vez do Papa Francisco demonstrar seu apreço pelo grande Pastor Angelicus, que conduziu a Igreja durante os terríveis anos da Segunda Guerra Mundial. No último mês, em carta enviada ao vigário-geral da diocese de Roma, o cardeal Agostino Vallini, o Santo Padre expressou sua gratidão "a quem foi pai solícito e providente" 01.
  
No dia 19 de julho de 1943, isto é, há 70 anos, a cidade de Roma foi bombardeada pelos Aliados, apesar dos insistentes pedidos de Pio XII para que a cidade eterna fosse poupada dos horrores da guerra. O conhecido bairro São Lourenço foi devastado: uma igreja tradicional dedicada ao mártir foi destruída e inúmeras vidas foram ceifadas. Sensível ao sofrimento dos moradores de Roma e incansável em seu esforço pela conciliação em tempos de conflito, o Papa Pacelli visitou o mesmo bairro, pouco tempo depois, para confortar o povo romano e clamar por paz.

O Papa Francisco recordou o incidente e louvou o "venerável Pio XII, que, naquelas horas terríveis, ficou próximo de seus concidadãos tão duramente golpeados". "O Papa Pacelli – escreveu – não hesitou em correr, imediatamente e sem escolta, às ruínas ainda fumegantes do bairro de São Lourenço, a fim de socorrer e consolar a população consternada. Também naquela ocasião se mostrou Pastor com premência, que está no meio de seu próprio rebanho, especialmente na hora da prova, pronto a compartilhar os sofrimentos de sua gente."

Francisco também lembrou a grande obra de caridade realizada pela Igreja durante a denominada "grande guerra", salvando inúmeras vidas e aliviando as almas. "O gesto do Papa Pacelli é o sinal da obra incessante da Santa Sé e da Igreja em suas diversas articulações, paróquias, institutos religiosos, residências, para dar alívio à população. Muitos bispos, sacerdotes religiosos e religiosas em Roma e em toda a Itália foram como o Bom Samaritano da parábola evangélica, inclinado ao irmão na dor, para ajudar-lhe e dar-lhe conforto e esperança."

De fato, é conhecida a ajuda que a Igreja, por meio do venerável Pio XII, concedeu às vítimas da guerra, especialmente aos judeus. São inúmeros os testemunhos de personalidades judias que abonam a ação do Pastor Angelicus. O diplomata israelense Pinchas Lapide esclarece que,"durante o pontificado de Pio XII, a Igreja católica foi o instrumento de salvação de, pelo menos, 700 000, mas talvez também de 860 000 judeus que deviam morrer às mãos dos nazis". Um judeu, que ficou quatro meses escondido nas catacumbas de São Calisto, em Roma, assegurou que "a Igreja católica foi para todos nós um seguro lugar de refúgio". "Quando um judeu encontrava um padre no caminho sabia que podia tranquilamente pedir-lhe refúgio e assistência".


Também é sabido, por exemplo, que foram muitos os conventos e mosteiros em Roma a abrirem suas portas para o abrigo de refugiados. Nada disto seria possível sem "instruções precisas, orais ou escritas, provenientes de Roma", garante o jornalista Andrea Tornielli, autor do livro "Pio XII, o Papa dos judeus". Tornielli escreve ainda que "só a necessidade de criar um bode expiatório, para cima de cujas costas se atirem as muitas culpas de quem não mexeu um dedo para ajudar os judeus, pode justificar que esta extraordinária ajuda humanitária seja esquecida"02.

Pio XII foi Pontífice da Santa Igreja de 1939 até o ano de 1958, quando morreu. Escreveu inúmeros discursos, encíclicas e radiomensagens, tendo abordado neles uma infinidade de questões, como o evolucionismo, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e a Liturgia católica. Grande parte deste tesouro pode ser consultada no site da Santa Sé03.


Referências

01. Messaggio del Santo Padre Francesco al Cardinale Vicario Agostino Vallini, nel LXX anniversario del bombardamento di Roma

02. Andrea Tornielli, Pio XII, il Papa degli ebrei. Trad. António Maia da Rocha. Porto: Ed. Civilização.

0.3 Pius PP. XII - Eugenio Pacelli


O Papa Francisco poderia declarar santo a Pio XII

VATICANO,(ACI/EWTN Noticias).- O Papa Francisco estaria considerando proclamar santo ao Papa Pio XII, o grande Pontífice que sentou as bases do Concílio Vaticano II e que salvou a 800 mil judeus da morte. O Santo Padre tomaria esta decisão de modo similar como fez com o Papa João XXIII, a quem vai canonizar sem a mediação de um milagre como normalmente se requer nos procedimentos da Igreja.

Papa Pio XII
Uma fonte autorizada da Congregação para as Causas dos Santos no Vaticano, que pediu permanecer no anonimato, disse ao Grupo ACI em 25 de julho que "assim como o Papa Francisco decidiu a canonização de João XXIII, assim também está considerando fazer o mesmo com Pio XII".

Em 19 de dezembro de 2009 o então Papa Bento XVI aprovou o decreto das virtudes heroicas do Papa Pacelli, quer dizer o documento que demonstra que uma pessoa viveu a fé, a esperança e a caridade (o amor) em grau heroico. De acordo ao procedimento regular, agora é necessário um milagre para sua beatificação.

Mas se o Papa Francisco decide seguir adiante sem um milagre, poderia "inclusive canonizá-lo (a Pio XII) com a fórmula de scientia certa (certeza de conhecimento) e, portanto, inclusive passando por cima da beatificação", indicou a fonte.

"Somente o Papa pode fazer isso e o fará se assim o desejar".


O Papa Francisco está muito interessado em Pio XII porque "considera-o um grande, da mesma forma que João XXIII, embora seja por distintas razões", explicou a fonte ao Grupo ACI.