Nosso Canal

domingo, 5 de agosto de 2012

Jesus Cristo falando ao Coração do Sacerdote


Parte retirada da obra original em italiano pelo Missionário e Doutor
Revmo. Bartholomeu do Monte
1910

Eclesiásticos distintos por sua virtude e ciência fizeram-nos ver a conveniência da publicação da obrinha que hoje damos à estampa. Merecidamente é ela tida em grandíssima estima lá fora, e reconhecida a eficácia e solidez com que, em breves e fáceis considerações, se expõem os principais deveres dos Sacerdotes.

Nunca talvez foi em Portugal tão desconsiderado o Sacerdote como hoje: sofre guerra atroz duns, ultrajes doutros, destes desprezo, daqueles indiferença; e, o que pior é, sobre a Religião recai o desprestígio dos seus ministros. É, pois na época presente sobremodo árdua, mas igualmente gloriosa, a missão do Padre: tem que reabilitar-se a si próprio perante a sociedade desdenhosa, e que levantar a Religião da decadência e abatimento em que por infelicidade se acha; como escreveu um malogrado talento (Gabriel de Mama Coutinho): 

 “É necessário que o Padre faça emudecer as blasfêmias do filósofo racionalista e estanque nos lábios do literato atrevido o sorriso zombeteiro da impiedade; é necessário que... obrigue de novo os homens a reconhecerem nele o ungido do Senhor, e na Igreja a salvação do mundo.” 

Mas como há de conseguir isto? Pela virtude e santidade da vida, pela cultura e poder da inteligência. O Padre deve ser, segundo o Evangelho, o sal da terra e a luz do mundo. Se o viver do Sacerdote for irrepreensível, um exemplo incontrastável de todas as virtudes, as setas envenenadas dos seus inimigos cair-lhe-ão frias e sem força aos pés, ou reverterão a ferir os mesmos que as dispararem. Se a ciência do Padre for sólida e variada, os sofismas dos incrédulos e dos maus serão facilmente pulverizados pela sua palavra verdadeira e autorizada.

Outros livros se ocupam magnificamente da instrução do Clero; o presente mira, sobretudo a sua moralização e santificação. Pela boca do Reverendo Bartholomeu do Monte fala Jesus Cristo ao coração do Sacerdote, lembrando-lhe as obrigações, do seu santo ministério: como poderá deixar de essentá-lo e obedecer-lhe?

Refere-se ter declarado S. José de Cupertino, a um Prelado da Igreja, que o Ofício divino bem rezado e a devota celebração do santo Sacrifício da Missa era o mais poderoso meio para a reforma do Clero em tudo e por tudo. Que é o Sacrifício da Missa? 

“Ajuntai os merecimentos da Augusta Maria, diz Mons. Gaume, as adorações dos Anjos, os trabalhos dos Apóstolos, os sofrimentos dos Mártires, as austeridades dos Anacoretas, a pureza das Virgens, as virtudes dos Confessores, numa palavra, as boas obras de todos os Santos que existiram, existem e hão de existir, desde o princípio do mundo até a consumação dos séculos; acrescentai-lhes com o pensamento os merecimentos dos Santos de mil mundos mais perfeitos que o nosso: é de fé que não tereis o valor duma só Missa.”

E o Sacerdote é o ministro desse augustíssimo e preciosíssimo Sacrifício! Com que desvelo deve preparar-se para ele! Com que zelo temeroso deve celebrá-lo!Atendeu-se tambem neste livrinho a esse importantíssimo objeto; e oxalá se veja duma vez para sempre desterrado dos nossos Altares esse horrendo abuso, talvez o mais digno de chorar-se, de celebrar tão desatenta e precipitadamente o mais alto e tremendo dos mistérios da Religião.

O nosso supremo desejo é ver a Religião exaltada, e o Sacerdócio respeitado; e exultaremos de júbilo, se com as nossas minguadas forças concorrermos, pouco que seja, para que esses grandes fins se consigam. Permita Deus que os nossos esforços sejam coroados de feliz resultado!

O santo Papa , segundo Bertone, está finalizando uma nova encíclica


IHU – Bento XVI está trabalhando em uma nova encíclica, disse nessa quarta-feira o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, após celebrar a Santa Missa na igreja paroquial de Introd, localidade no vale de Aosta, onde ele está passando um período de repouso.

A reportagem é do sítio Religión Digital, 02-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De acordo com o cardeal, Bento XVI concluiu seu terceiro volume dedicado a Jesus de Nazaré e os Evangelhos da infância, que, em sua opinião, será um grande presente para o Ano da Fé. E, depois dessa publicação, é muito provável que seja lançada uma nova encíclica, a quarta do seu pontificado.

As declarações foram feitas por ocasião da missa celebrada na paróquia dessa localidade montanhosa. Em sua homilia, dedicada à memória litúrgica de Santo Eusébio de Vercelli, o cardeal assinalou que a tarefa de quem governa com um senso de responsabilidade, ao contrário do mercenário que desempenha um ofício, é a de assumir a defesa dos fracos, dos necessitados, e, segundo a imagem do Bom Pastor, a de fazer resplandecer a realeza de Cristo.

Ele acrescentou que a obra de evangelização de Santo Eusébio o levou a realizar viagens duríssimas, chegando a enfrentar perigos, incompreensões e perseguições por parte de seus inimigos, e tudo isso para levar o Evangelho e a salvação de Cristo por todas as partes.

Sobre o próximo Sínodo sobre a Nova Evangelização, ele destacou que quando, se fala de nova evangelização, é preciso saber reconhecer nessa expressão toda a carga de confiança que Deus nos dá hoje, quando nos quer anunciadores do Evangelho entre os nossos povos.

“O Senhor precisa hoje do nosso coração, da nossa mente e das nossas forças para que o projeto de vida por ele anunciado possa ter a força de atração do nosso mundo vital, diferenciado e complexo, em que se faz necessário saber tornar concretamente visível a força da esperança cristã”.

Em cada âmbito social, indicou, no trabalho, no casamento e na família, assim como em todos os círculos de amizade e de compromisso social, cada um é verdadeiramente insubstituível para uma ramificação do testemunho de fé.

Sobre a celebração do Ano da Fé, que começará no contexto comemorativo dos 50 anos da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, destacou que será um período importante, se pensarmos na necessidade que persiste em nosso tempo de servir à causa do ser humano que “não sabe para onde ir e não consegue nem compreender quem é ele próprio”, disse ele, citando as palavras de Bento XVI.

sábado, 4 de agosto de 2012

A mais bela profissão do homem é rezar e amar


Do Catecismo de São João Maria Vianney, presbítero
(Catéchisme sur la prière: A.Monnin, Esprit du Curé d’Ars, Paris1 899, pp.87-89)
(Séc.XIX)

Prestai atenção, meus filhinhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso, o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra.

A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém pode mais separar. Como é bela esta união de Deus com sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de se compreender. Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na sua bondade, permitiu-nos falar com ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada.

Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a oração o dilata e torna capaz de amar a Deus. A oração faz saborear antecipadamente a felicidade do céu; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sob os raios do sol.

Outro benefício que nos é dado pela oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe sua duração. Escutai: certa vez, quando eu era pároco em Bresse, tive que percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas que estavam doentes; nessas intermináveis caminhadas, rezava ao bom Senhor e – podeis crer! – o tempo não me parecia longo.

Há pessoas que mergulham profundamente na oração, como peixes na água, porque estão inteiramente entregues a Deus. Não há divisões em seus corações. Ó como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Clara viam nosso Senhor e conversavam com ele do mesmo modo como nós conversamos uns com os outros.

Nós, ao invés, quantas vezes entramos na Igreja sem saber o que iremos pedir. E, no entanto, sempre que vamos ter com alguém, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Há até mesmo pessoas que parecem falar com Deus deste modo: “Só tenho duas palavras para vos dizer e logo ficar livre de vós.”. Muitas vezes penso nisto: quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedirmos com fé viva e coração puro.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A devoção pela santa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo


  Quanto agrada a Jesus Cristo que nós nos lembremos continuamente de Sua Paixão e da morte ignominiosa que por nós sofreu, muito bem se deduz de haver Ele instituído o Santíssimo Sacramento do altar com o fito de conservar sempre viva em nós a memória do amor que nos patenteou, sacrificando-Se na Cruz por nossa salvação.

Já sabemos que na noite anterior à Sua morte Ele instituiu este sacramento de amor e depois de ter dado Seu corpo aos discípulos, disse-lhes — e na pessoa deles a nós todos — que ao receberem a santa comunhão se recordassem do quanto Ele por nós padeceu: “Todas as vezes que comerdes deste pão e beber de deste cálice, anunciareis a morte do Senhor” (1Cor 11,26). Por isso a santa Igreja, na missa, depois da consagração , ordena ao celebrante que diga em nome de Jesus Cristo: “Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de mim”. E S. Tomás escreve: “Para que permanecesse sempre viva entre nós a memória de tão grande benefício, deixou Seu corpo para ser tomado como alimento” (Op. 57). E continua o santo a dizer que por meio de um tal sacramento se conserva a memória do amor imenso que Jesus Cristo nos demonstrou na Sua Paixão.

Se alguém padecesse por seu amigo injúrias e ferimentos e soubesse que o amigo, quando se falava sobre tal acontecimento nem sequer nisso queria pensar e até costumava dizer: falemos de outra coisa — que dor não sentiria vendo o desconhecimento de um tal ingrato? Ao contrário, quanto se consolaria se soubesse que o amigo reconhece dever-lhe uma eterna obrigação e que disso sempre se recorda e se lhe refere sempre com ternura e lágrimas? Por isso é que todos os santos, sabendo a satisfação que causa a Jesus Cristo quem se recorda continuamente de Sua Paixão, estão quase sempre ocupados em meditar as dores e os desprezos que sofreu o amantíssimo Redentor em toda a Sua vida e particularmente na Sua morte.

S. Agostinho escreve que as almas não podem se ocupar com coisa mais salutar que meditar cotidianamente na Paixão do Senhor. Deus revelou a um santo anacoreta que não há exercício mais próprio para inflamar os corações com o amor divino do que o meditar na morte de Jesus Cristo. E a S. Gertrudes foi revelado, segundo Blósio, que todo aquele que contempla com devoção o crucifixo é tantas vezes olhado amorosamente por Jesus quantas ele o contempla.

Ajunta Blósio que o meditar ou ler qualquer coisa sobre a Paixão traz-nos maior bem que qualquer outro exercício de piedade. Por isso escreve S. Boaventura: “A paixão amável que diviniza quem a medita” (Stim. div. amor. p. 1. c. 1). E falando das chagas do crucifixo, diz que são chagas que ferem os mais duros corações e inflamam no amor divino as almas mais geladas.

(A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - volume I, Santo Afonso Maria de Ligório)