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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Em torno de 300 mártires espanhóis do século XX serão beatificados em outubro de 2013


MADRI, 26 Nov. 12 / 09:32 am (ACI/Europa Press).- A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Espanhola decidiu que a cerimônia de beatificação de mais ou menos 300 mártires do século XX na Espanha, prevista para o dia 27 de outubro de 2013, seja celebrada em Tarragona pela sua grande historia de fé cristã e de mártires, pois os primeiros mártires da história romana, do século III, foram o bispo de Tarragona, São Frutuoso e seus dois diáconos Augurio e Eulogio.
Dom Juan Antonio Martínez Camino
Além disso, o porta-voz e secretário geral da CEE, Dom Juan Antonio Martínez Camino, indicou que 147 mártires dos que serão beatificados são de Tarragona, entre eles está Dom Manuel Borrás, que foi bispo auxiliar da diocese, e 66 sacerdotes diocesanos.

Por isso, o Arcebispo de Tarragona manifestou "seu especial interesse" para que a celebração fosse celebrada ali. Do mesmo modo, apontou que a organização desta beatificação corresponderá ao Escritório para as Causas dos Santos da CEE junto com a diocese anfitriã.

O Plano Pastoral da CEE recolhe como uma das grandes ações, a beatificação dos mártires do século XX na Espanha e se recordam as palavras do Papa Bento XVI quando, ao convocar o Ano da Fé, assinalou que "pela fé, os mártires entregaram sua vida como testemunho da verdade do Evangelho, que os tinha transformado e feito capazes de chegar até o maior dom do amor com o perdão dos seus perseguidores".

Por outra parte, a Assembleia Plenária acordou a constituição de uma 'Junta Episcopal pró V Centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus' que se cumprirá em 2015 e que estará formada pelo presidente da CEE, o Bispo de Ávila, o Arcebispo de Sevilha, o Bispo de Salamanca, o Presidente da Comissão Episcopal de Pastoral, o presidente da Comissão Episcopal de Vida Consagrada e o Secretário geral da CEE.

Esta Junta será a encarregada de traçar os lineamentos gerais das ações que serão realizadas e constituirá mais adiante uma Comissão Executiva, encarregada de coloca-las em prática.

Do mesmo modo, os bispos aprovaram os balanços e liquidação orçamentária do ano 2011 do Fundo Comum Interdiocesano, da Conferência Episcopal e dos organismos que dela dependem.

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo


HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Basílica Vaticana
Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo
Domingo, 25 de Novembro de 2012

Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Amados irmãos e irmãs!

A solenidade de Jesus Cristo Rei do universo, que hoje coroa o Ano Litúrgico, vê-se enriquecida com a recepção no Colégio Cardinalício de seis novos membros, que convidei, como é tradição, para concelebrar comigo a Eucaristia nesta manhã. A cada um deles dirijo a minha saudação mais cordial, agradecendo ao Cardeal James Michael Harvey as amáveis palavras que em nome de todos me dirigiu. Saúdo os outros Purpurados e todos os Prelados presentes, bem como as ilustres Autoridades, os Senhores Embaixadores, os sacerdotes, os religiosos e todos os fiéis, especialmente quantos vieram das dioceses que estão confiadas ao cuidado pastoral dos novos Cardeais.

Neste último domingo do Ano Litúrgico, a Igreja convida-nos a celebrar Jesus Cristo como Rei do universo; chama-nos a dirigir o olhar em direcção ao futuro, ou melhor em profundidade, para a meta última da história, que será o reino definitivo e eterno de Cristo. Estava com o Pai no início, quando o mundo foi criado, e manifestará plenamente o seu domínio no fim dos tempos, quando julgar todos os homens. As três leituras de hoje falam-nos desse reino. No texto evangélico que ouvimos, tirado do Evangelho de São João, Jesus encontra-Se numa situação humilhante – a de acusado – diante do poder romano. Foi preso, insultado, escarnecido, e agora os seus inimigos esperam obter a sua condenação ao suplício da cruz. Apresentaram-No a Pilatos como alguém que aspira ao poder político, como o pretenso rei dos judeus. O procurador romano faz a própria investigação e interroga Jesus: «Tu és rei dos judeus?» (Jo 18, 33). Na resposta a esta pergunta, Jesus esclarece a natureza do seu reino e da própria messianidade, que não é poder terreno, mas amor que serve; afirma que o seu reino de modo algum se confunde com qualquer reino político: «A minha realeza não é deste mundo (...) o meu reino não é de cá» (v. 36).

É claro que Jesus não tem nenhuma ambição política. Depois da multiplicação dos pães, o povo, entusiasmado com o milagre, queria pegar n’Ele e fazê-Lo rei, para derrubar o poder romano e assim estabelecer um novo reino político, que seria considerado como o reino de Deus tão esperado. Mas Jesus sabe que o reino de Deus é de género totalmente diverso; não se baseia sobre as armas e a violência. E é justamente a multiplicação dos pães que se torna, por um lado, sinal da sua messianidade, mas, por outro, assinala uma viragem decisiva na sua actividade: a partir daquele momento aparece cada vez mais claro o caminho para a Cruz; nesta, no supremo acto de amor, resplandecerá o reino prometido, o reino de Deus. Mas a multidão não entende, fica decepcionada, e Jesus retira-Se para o monte sozinho para rezar, para falar com o Pai (cf. Jo 6, 1-15). Na narração da Paixão, vemos como os próprios discípulos, apesar de terem partilhado a vida com Jesus e ouvido as suas palavras, pensavam num reino político, instaurado mesmo com o uso da força. No Getsêmani, Pedro desembainhara a sua espada e começou a combater, mas Jesus deteve-o (cf. Jo 18, 10-11); não quer ser defendido com as armas, mas deseja cumprir a vontade do Pai até ao fim e estabelecer o seu reino, não com as armas e a violência, mas com a aparente fragilidade do amor que dá a vida. O reino de Deus é um reino completamente diferente dos reinos terrenos.

Por isso, diante de um homem indefeso, frágil, humilhado como se apresenta Jesus, um homem de poder como Pilatos fica surpreendido – surpreendido, porque ouve falar de um reino, de servidores – e faz uma pergunta, a seu ver paradoxal: «Logo, Tu és rei!». Que tipo de rei pode ser um homem naquelas condições!? Mas Jesus responde afirmativamente: «É como dizes: Eu sou rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz» (18, 37). Jesus fala de rei, de reino, referindo-Se não ao domínio mas à verdade. Pilatos não entende: poderá haver um poder que não se obtenha com meios humanos? Um poder que não corresponda à lógica do domínio e da força? Jesus veio para revelar e trazer uma nova realeza: a realeza de Deus. Veio para dar testemunho da verdade de um Deus que é amor (cf. 1 Jo 4, 8.16) e que deseja estabelecer um reino de justiça, de amor e de paz (cf.Prefácio). Quem está aberto ao amor, escuta este testemunho e acolhe-o com fé, para entrar no reino de Deus.

Encontramos esta perspectiva na primeira leitura que ouvimos. O profeta Daniel prediz o poder de um personagem misterioso colocado entre o céu e a terra: «Vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho de homem. Avançou até ao Ancião, diante do qual o conduziram. Foram-lhe dadas as soberanias, a glória e a realeza. Todos os povos, todas as nações e as gentes de todas as línguas o serviram. O seu império é um império eterno que não passará jamais, e o seu reino nunca será destruído» (7, 13-14). São palavras que prevêem um rei que domina de mar a mar até aos confins da terra, com um poder absoluto, que nunca será destruído. Esta visão do profeta, uma visão messiânica, é esclarecida e realiza-se em Cristo: o poder do verdadeiro Messias – poder que não mais desaparece e nunca será destruído – não é o poder dos reinos da terra que surgem e caem, mas o poder da verdade e do amor. Assim entendemos como a realeza, anunciada por Jesus nas parábolas e revelada aberta e explicitamente diante do Procurador romano, é a realeza da verdade, a única que dá a todas as coisas a sua luz e grandeza.
 
Na segunda leitura, o autor do Apocalipse afirma que também nós participamos na realeza de Cristo. Na aclamação dirigida «Àquele que nos ama e nos purificou dos nossos pecados com o seu sangue», declara que Ele «fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e seu Pai» (1, 5-6). Aqui está claro também que se trata de um reino fundado na relação com Deus, com a verdade, e não de um reino político. Com o seu sacrifício, Jesus abriu-nos a estrada para uma relação profunda com Deus: n’Ele tornamo-nos verdadeiros filhos adoptivos, participando assim da sua realeza sobre o mundo. Portanto, ser discípulos de Jesus significa não se deixar fascinar pela lógica mundana do poder, mas levar ao mundo a luz da verdade e do amor de Deus. Depois o autor do Apocalipse estende o olhar até à segunda vinda de Jesus – quando Ele voltar para julgar os homens e estabelecer para sempre o reino divino – e recorda-nos que a conversão, como resposta à graça divina, é a condição para a instauração desse reino (cf. 1, 7). É um vigoroso convite dirigido a todos e cada um: converter-se sem cessar ao reino de Deus, ao domínio de Deus, da Verdade, na nossa vida. Pedimo-lo diariamente na oração do «Pai nosso» com as palavras «Venha a nós o vosso reino», que equivale a dizer a Jesus: Senhor, fazei que sejamos vossos, vivei em nós, reuni a humanidade dispersa e atribulada, para que em Vós tudo se submeta ao Pai da misericórdia e do amor.

A vós, amados e venerados Irmãos Cardeais – penso de modo particular àqueles que foram criados ontem –, se confia esta responsabilidade impelente: dar testemunho do reino de Deus, da verdade. Isso significa fazer sobressair sempre a prioridade de Deus e da sua vontade face aos interesses do mundo e dos seus poderes. Fazei-vos imitadores de Jesus, que diante de Pilatos, na situação humilhante descrita pelo Evangelho, manifestou a sua glória: a glória de amar até ao fim, dando a própria vida pelas pessoas amadas. Esta é a revelação do reino de Jesus. E por isso, com um só coração e uma só alma, rezemos: «Adveniat regnum tuum». Amen.



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domingo, 25 de novembro de 2012

Carta da IDSC: Nossa vida na Cruz de Jesus


 IRMANDADE DOS DEFENSORES DA SAGRADA CRUZ
IDSC

Carta aos amados irmão
na fé em Cristo Jesus
02-10-2012

Amados irmãos na fé e na esperança Naquele que foi elevado na Cruz e desta forma nos atraiu para Ele (Cf. Jo 12, 32). Por Ele, Jesus Cristo, fomos santificados e chamados a deixar todo o pecado a fim de sermos santos e irrepreensíveis diante de Deus (Ef. 1,4).

Caríssimos, foi pela Cruz que Nosso Senhor se dignou salvar-nos e glorificar ao Pai Celeste. Foi através deste sinal que Ele, Jesus Cristo, nos demonstrou o seu infinito e terno amor. Fez da Cruz o seu trono e dos espinhos sua coroa, seu manto real foi a nudez de um corpo chagado, pois Ele fez do escândalo da Cruz a nossa salvação.
Irmãos é pelo grandioso sinal (da Cruz) e pelo amor que temos a Aquele que neste sinal foi suspenso, que somos chamados de defensores da Sagrada Cruz, pois vemos na Cruz mais do que um pedaço de madeira, vemos sim nela, o estandarte visível da Vitória de Cristo sobre o pecado. É na Cruz, árvore da Vida, que encontramos o fruto da salvação, Jesus Cristo.

É esta realidade que defendemos a realidade que fomos salvos por Cristo e que fomos restaurados e chamados a uma vida nova. Vida esta, onde já não deverá existir mais espaço para o pecado. Pelo batismo somos chamados de filhos de Deus, e assim o somos verdadeiramente por meio de Cristo. Como filhos de Deus já não pertencemos ao mundo nem as trevas, entretanto devemos apresentar este Cristo ao mundo, sempre que possamos sobretudo, pelo nosso testemunho de vida (1Ts 5,5).

 Nós como filhos de Deus já não vemos a Cruz como o mundo a vê, a vemos como a síntese de nossa fé, pois é nela que Jesus mostra a sua verdadeira humanidade iniciada na encarnação e é por meio dela, que contemplamos a glorificação de Cristo na ressurreição. Foi pela Cruz que Jesus se fez obediente a vontade do Pai, se despojando de toda sua dignidade Divina por amor a nós pobres. É também pela Cruz, seguindo seus passos, que nós seus filhos devemos ser obedientes a Ele. Desta forma, nossas vidas devem ser vividas na Cruz como um perene sacrifício oferecido à Deus, unindo nossas pequenas cruzes a Cruz de Cristo, oferecendo à Deus o nosso sacrifício imperfeito em união ao único e verdadeiro sacrifício perfeito e agradável aos alhos de Deus, oferecido por Jesus e renovado a cada Missa que se celebra.

Esta união do sacrifício de Cristo com o nosso, só é possível pelo batismo que recebemos e se torna presente ao assistirmos a Santa Missa, assim pertencemos já aqui na terra do Reino de Cristo e agora nos cabe sermos coerente e levar este reino a mais corações. Para sermos coerentes é necessária, a busca da configuração com Cristo, renunciando ao mundo e as seduções de Satanás e tomando a cada dia a cruz com alegria e amor (Mc 8, 34).   

É perceptível o quanto o sinal salvífico da Cruz foi e é um sinal que causa a muitos um desconforto e até uma hostilidade ferrenha, que se manifesta em atos pessoais ou públicos, que visam tornar tal sinal esquecido e visto como ultrapassado.  Cabe a nós sermos propagadores e anunciadores da Cruz de Nosso Senhor Jesus, primeiramente com nossas vidas e é através desta vivência que nosso apostolado terá força na Igreja.

Lembro-vos, pois que este sinal é um caminho árduo por três motivos: colocamos em primeiro lugar, nós mesmos, ou seja, essa entrega pessoal diária feita por amor e no amor a Deus esvaziar-se de si mesmo e deixar-se encher de Cristo e em sua imitação constante (Cf. 2Cor 5, 17). Em segundo lugar, o mundo e suas mentiras que sempre viu na Cruz o escândalo da vida, que pelo amor se faz ablação ao seu Senhor, que pela Cruz vence o mundo e nos chama à com Ele vencer também. "Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo". (Jo 16,33) Em terceiro lugar, a batalha constante contra a antiga serpente – Satanás, que visto por muitos como, inexistente, continua a operar e perder as almas e que em tudo quer nos vencer pelo pecado. Aqui volta a necessidade de abandonarmo-nos em Deus e renunciar minuto a minuto nossas próprias paixões e tendências. É através desta confiança em Deus que atingiremos pouco a pouco essa semelhança com Jesus.

Para concluir exorto-vos amados irmãos que nossas vidas tornem-se cada vez mais um reflexo mais límpido da vida de Cristo, amando a Igreja como Ele mesmo a amou. Que o nosso nome de defensores da Sagrada Cruz não se perca no poético e utópico, mas que se torne real aos olhos de Deus e dos homens, por meio do combate espiritual constante, pelo ardor de levar o amor de Cristo aos corações e pela defesa perseverante e militante da Fé verdadeira que se encontra na Única Igreja de Cristo.

Que a defesa da Fé se faça na verdadeira caridade aos irmãos e para a Maior Gloria de Deus e salvação das almas.

Fraternalmente em Cristo Jesus, do qual me fiz eternamente servo.


Sem. Pedro Afonso Tavares Lins
Diretor gera da
 IDSC

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sandro Magister: Bento XVI sempre considerou um engano dizer "Igreja pecadora"


ROMA, (ACI).- O vaticanista Sandro Magister afirmou em um recente artigo que o termo "Igreja pecadora" nunca foi considerado certeiro pelo Papa Bento XVI, pois embora esta fórmula esteja de moda, é alheia à tradição cristã.

Magister se referiu ao artigo do L'Osservatore Romano sobre o encontro entre o Papa e os cardeais por seu quinto aniversário de eleição pontifícia, e no qual o jornal escreveu que "o Pontífice tem feito referência aos pecados da Igreja, recordando que ela, ferida e pecadora, experimenta mais o consolo de Deus".

Entretanto, adverte Magister, "é duvidoso que 
Bento XVI tenha se expressado dessa maneira. A fórmula ‘Igreja pecadora’ nunca foi dele. E sempre a considerou equivocada".

Como exemplo, citou a homilia da Epifania de 2008, onde "definiu a Igreja de um modo totalmente distinto: ‘Santa e composta por pecadores’".

"E se examinarmos bem encontraremos que ele sempre a definiu desse modo. Ao final dos exercícios de 
Quaresma de 2007, Bento XVI agradeceu ao pregador –que esse ano havia sido o Cardeal Giacomo Biffi– ‘por haver-nos ajudado a amar mais a Igreja, a 'immaculata ex-maculatis', como nos ensinaste com (citando) São Ambrósio’".

A expressão "immaculata ex-maculatis", explica o vaticanista, "está em uma passagem do comentário de São Ambrósio ao Evangelho do Lucas" e significa "que a Igreja é Santa e sem mancha, mesmo quando acolhe nela homens manchados de pecado".

Magister explicou que o Cardeal Biffi publicou em 1996 um ensaio dedicado a este tema e que continha no título "uma expressão mais ousada ainda, aplicada à Igreja: ‘Casta meretrix’, meretriz casta"; fórmula usada pelo "catolicismo progressista" para dizer "que a Igreja é Santa ‘mas também pecadora’ e deve sempre pedir perdão pelos ‘próprios’ pecados"; e que Hans Küng afirma que foi usada "frequentemente desde a época patrística".

"Frequentemente? Pelo que sabemos, em todas as obras dos Padres, a fórmula só aparece uma vez: no comentário de são Ambrósio ao Evangelho do Lucas. Nenhum outro Padre latino ou grego jamais a usou, nem antes nem depois", esclareceu Magister. 

O vaticanista acrescentou que São Ambrósio aplicou este termo em relação à simbologia de Raabe, a prostituta de Jericó que "hospedou e salvou em sua própria casa a uns israelitas fugitivos"; e que já antes deste Padre da Igreja, tinha sido vista como "protótipo" da Igreja. "A fórmula ‘fora da Igreja não existe salvação’, nasceu precisamente do símbolo da casa salvadora de Raabe", explicou Magister.

O Cardeal Biffi, indicou Magister, explicou que a expressão casta meretrix, "longe de aludir a algo pecaminoso e reprovável, quer indicar (…) a santidade da Igreja. Santidade que consiste tanto na adesão sem hesitações e sem incoerências a Cristo seu esposo ('casta') como na vontade da Igreja de alcançar a todos para levar a todos à salvação ('meretrix')".

O vaticanista sublinhou que o fato de que "aos olhos do mundo a Igreja possa aparecer ela mesma manchada de pecados e golpeada pelo desprezo público, é uma sorte que remete à de seu fundador Jesus, que também foi considerado um pecador pelas potências terrenas de seu tempo". 

Entretanto, recordou que a Igreja é Santa por seu fundador e por isso pode acolher "os pecadores e sofrer com eles pelos males que padecem e curá-los". "Em dias calamitosos como os atuais, cheios de acusações que querem invadir precisamente a santidade da Igreja, esta é uma verdade que não se deve esquecer", afirmou.