Nosso Canal

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sangue de Cristo, torrente de misericórdia




SANGUIS CHRISTI, FLÚMEN MISERICÓRDIAE
Aos irmãos membros e amigos


Sem. Pedro Afonso
Diretor Geral
Amados futuros membros e amigos, Salve Maria. Graça e paz de Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, fonte de toda salvação. Senhor supremo e soberano dos nossos corações. Que por seu sangue, torrente de misericórdia, veio resgatar o mundo inteiro e como nos diz São Pedro lembrando a profecia de Isaías: por suas Chagas fomos curados.
É com a alegria da ressurreição de Nosso Senhor que vos envio esta carta. Rezo, para que esses dias que se passaram tenham sido para todos vocês dias de intensa busca de santidade e união a Cruz de Cristo. Que esta Semana Santa tenha sido verdadeiramente um tempo de morte e ressurreição em suas vidas. Morte para o pecado e paixões mentirosas desse mundo, ressuscitando assim para uma vida nova em Cristo Jesus.
     Jesus depois de ter morrido teve seu lado aberto, “mais um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente saiu sangue e água”. (Jo 19,34). Jesus ao se entregar na cruz doa-se inteiramente, consome-se de forma total a fim de manifestar sua doação completa de amor a nós pecadores, tal foi essa doação que entregou seu divino corpo para ser flagelado; sua majestosa cabeça para ser coroada de espinhos; suas mãos e seus pés tão admiráveis para serem transpassados pelos cravos e seu coração para ser rasgado, aberto para que as nossas almas pecadoras encontrassem aí refúgio e abrigo.
Coração este ferido por nossos pecados, mas inflamado de amor por nós, coração este que ao pulsar nos lembra o seu amor e nos convida a amá-lo. Nas aparições do Sagrado e Misericordioso Coração, Jesus nos fala de nossa ingratidão e desprezo para com Ele, mas nos lembra de que sempre está a nos amar, nos promete sua misericórdia principalmente na hora de sua paixão, momento que foi aberto para todos nós uma fonte inesgotável de redenção.
É crendo neste Cristo transpassado e ressuscitado, aquele que é digno de nossa adoração e servidão “Contemplarão aquele que transpassaram” (Zc 12,10), que assim meditando e contemplando sua misericórdia possamos vivenciar em nossas vidas o “Dia do Senhor”, com uma infinita confiança na misericórdia Daquele que se nos entregou abertamente, a fim de que todos se refugiem Nele.
Eis o abrigo bem seguro que nos salva, como nos fala o salmista, no qual nós encontramos redenção dos pecados e remição pelo seu sangue. Assim confiantes dessa misericórdia e desse amor, pois em mim se confiou hei de livrá-lo. Pois confiamos neste nome e que a cada dia queremos mergulhar mais profundamente neste conhecimento infinito do vosso amor.
Que nossa miséria não nos afaste de Vós, mas que verdadeiramente seja o nosso refúgio protetor, Que a Cruz venha a ser nosso sustento e Teu coração aberto nossa morada.
Rezo clamando a Cristo que vigie a fé de todos vós que fazeis parte deste rebanho tão amado do Senhor, para que o Inimigo não os confunda, mas que a Cruz seja o sinal sempre visível da nossa salvação iminente vinda de Jesus do qual me fiz para sempre servo.
Dá-nos ó Virgem pura, fé pureza e bravura. Salve Maria!

Sem. Pedro Afonso Tavares Lins
Diretor Geral da IDSC

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Como surgiu a Salve Rainha


A linda oração da Salve Rainha, nasceu pelo ano mil, quando o Monge beneditino Germano, vivia num mosteiro situado na fronteira da Suíça com a Alemanha e, estando doente, com reumatismo, inutilizado fisicamente sofria dores atrozes. Não passava um dia sem que Germano, arrastando-se, fosse duas ou três vezes de seu quarto ao templo rezar demoradamente a Nossa Senhora.

Foi junto ao altar da Virgem que, de palavra em palavra, ele compôs a Salve Rainha no decurso de longos anos de sofrimento. Verdadeiro trapo humano tinha os músculos contraídos e os ombros inertes. Ele não chegou a concluí-la. Estava escrevendo estas palavras:..., depois deste desterro, mostrai-nos Jesus...; quando a morte o levou. 

Pelos meados do século XII, na véspera do Natal de 1146, São Bernardo chegou a Spira, cidade imperial da Alemanha, na qualidade de delegado apostólico para pregar a segunda cruzada. Foi recebido com solenidade extraordinária.

Conduziram-no ao som dos sinos e dos hinos sagrados através da cidade até a catedral, onde o imperador e os príncipes esperavam e o acolheram com todas as honras. A multidão era compacta. De todos os lados acudiam as pessoas, ansiosas por ver o santo, para ouvi-lo pregar. O cortejo avançava pela grande porta da Catedral em direção ao coro e entoava a Salve Rainha, oração essa que já era do domínio público no país. 

São Bernardo, ao lado do imperador seguia por entre o povo aglomerado quando os últimos acordes da bela invocação cessaram: “Nobis post hoc exiliun ontende...” Tão arrebatado ficou o grande sacerdote que, num ímpeto de amor, fez três genuflexões, com os olhos fitos na imagem da Virgem Santa, completando a prece do monge Germano, exclamando; Ó Clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria! Estas palavras foram esculpidas em lâminas de bronze no assoalho da Catedral e, depois, introduzidas na oração da Salve Rainha.



domingo, 3 de junho de 2012

Santíssima Trindade

Primeiramente, cabe contar uma pequena história que nos ajudará a entender a posterior explicação. 

Conta-se que Santo Agostinho andava em uma praia meditando sobre o mistério da Santíssima Trindade: um Deus em três pessoas distintas… 
   
Enquanto caminhava, observou um menino que portava uma pequena tigela com água. A criança ia até o mar, trazia a água e derramava dentro de um pequeno buraco que havia feito. 

Após ver repetidas vezes o menino fazer a mesma coisa, resolveu interrogá-lo sobre o que pretendia. 

O menino, olhando-o, respondeu com simplicidade: -”estou querendo colocar a água do mar neste buraco“. 

Santo Agostinho sorriu e respondeu-lhe: -”mas você não percebe que é impossível?”. 
 

Então, novamente olhando para Santo Agostinho, o menino respondeu-lhe: “ora, é mais fácil a água do mar caber nesse pequeno buraco do que o mistério da Santíssima Trindade ser entendido por um homem!”. E continuou: “Quem fita o sol, deslumbra-se e quem persistisse em fitá-lo, cegaria. Assim sucede com os mistérios da religião: quem pretende compreendê-los deslumbra-se e quem se obstinasse em os perscrutar perderia totalmente a fé” (Sto. Agost). 

Só poderíamos compreender perfeitamente 
a Santíssima Trindade se nós fossemos ‘deus’. Podemos, contudo, por meio da razão iluminada pela fé, chegar a um conhecimento muito útil dos mistérios, considerando certas analogias da natureza. Citemos algumas: o raio branco de luz, sendo apenas um, pode ser decomposto em vermelho, amarelo e azul; a ametista brilha de três cores diferentes, segundo o lado em que se observa: é purpúrea, violeta e rósea, sem ser mais do que uma pedra. O fogo queima, ilumina e aquece, sendo apenas fogo, etc. 

Bem, a Santíssima Trindade é superior à capacidade humana de entendimento, mas não contraria a razão. Dizer que existe “um Deus em três pessoas” é superior à capacidade de compreensão humana, mas não é o mesmo que dizer que é “um Deus em três deuses“, que seria contrariar a razão humana. 

Ou seja, o mistério é conhecido, mas não é compreendido em sua totalidade. 

Sabendo disso, a Igreja aconselha muita cautela na busca de conhecer certos mistérios superiores à nossa compreensão, conforme ensina o Catecismo Romano, transcrevendo a Bíblia: “Quem quer sondar a majestade, será oprimido pelo peso de sua glória” (Prov. 25, 27). 

O Conhecimento através da Revelação

Portanto, a Santíssima Trindade só é conhecida através da Revelação, através das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, que era Deus e Homem verdadeiro. 
 
Disse Nosso Senhor: “Ensinai todas as gentes, e batizai-as em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Na sua última prece, o Salvador pede que seus discípulos sejam um como seu Pai e Ele não são mais que um (S. Jo., 17, 21). Também afirma: “Meu Pai e eu somos um” (Jo., 10, 30), deixando clara a unidade de natureza entre o Pai e o Filho. 

Em diversas passagens, os apóstolos reconhecem Nosso Senhor como “Filho de Deus“, que prometeu enviar o “Espírito Santo” sobre eles, que ressuscitou dos mortos ao terceiro dia pelo seu próprio poder, etc. 


Na promessa de enviar o Espírito Santo, Nosso Senhor, antes de se elevar ao Céu, anunciou aos Apóstolos que o Pai lhes enviará o Espírito Santo, que os ensinaria e os fortaleceria na fé: “Rogarei a meu Pai e Ele vos mandará outro consolador” (Jo 14, 16, 26), “o espírito da verdade” que “vos ensinará tudo” (Jo, 14, 26). Ora, como não há ninguém senão Deus (a verdade), capaz de ensinar tudo, resulta dessas palavras que tal consolador é Deus, como o Pai e o o Filho que hão de mandá-lo. S. Pedro repreende Ananias que procurou iludir o Espírito Santo, e acusa-o de ter assim mentido a “Deus”, não aos homens (Act. 4, 5, 11) Na mesma passagem sobre o Espírito Santo, fica claro que as pessoas são distintas: O Pai que envia, o Filho que roga ao Pai, o Espírito Santo que será enviado. 

Em II Cor, 13, 13 está escrito: “Estejam com todos vós a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo“!. 

No “batismo” de Nosso Senhor, ao sair da água, os céus se abriram e o “Espírito, como uma pomba“, desceu sobre Nosso Senhor e uma voz “veio dos Céus: “Tu és o meu filho amado, em ti me comprazo“. 

Em São Mateus, lemos: “Só o Pai conhece o Filho e o Filho conhece o Pai“(Mt 11, 27; Lc. 10, 22). Em S. João, está que o Espírito Santo “procede do Pai“, que é “enviado pelo Filho” (Jo 15, 26; 16, 7). 

Respondendo a Felipe, que lhe havia pedido para ver o Pai: “Filipe, quem me viu, viu também o Pai. Como é que dizes: Mostra-nos o Pai? Então não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim” (Jo, 14, 9 e 10). 

O mesmo que Jesus Cristo explica da sua união com o Pai, afirma-o igualmente do Espírito Santo. “Quando tiver vindo o Consolador que eu vos mandarei de junto de meu Pai, o Espírito de verdade que procede do Pai, Ele dará testemunho de mim” (Jo, 15, 26). Ora, o que procede de Deus tem, forçosamente, natureza idêntica à de Deus. 

Dessa forma, fica clara a distinção de três pessoas em um só Deus, ou seja, três pessoas de mesma natureza, poder e glória. 
 
Já no Antigo Testamento a Trindade estava implícita. Citemos algumas passagens: Os sacerdotes judeus deviam, ao abençoar o povo, invocar três vezes o nome de Deus (Num. 6, 23). Isaías diz-nos (6, 3) que os Serafins cantam nos céus: Santo, santo, santo é o Deus dos exércitos. Notemos sobretudo o estranho plural empregado por Deus na criação do homem: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança“(Gen. 1, 26). No momento da confusão de Babel: “Vinde, diz o Senhor, confundamos a sua linguagem” (Gen. 11, 7). Por que esse plural? Já, depois da culpa de Adão, o mesmo livro sagrado representa Deus dizendo ironicamente: “Portanto eis Adão que se tornou com um de nós, vamos agora impedir-lhe que levante a mão à árvore da vida”(Gen. 3, 22). E David escrevia no Salmo CIX: “Disse o Senhor ao meu Senhor: assenta-te à minha direita“. 

Encontram-se, no Antigo Testamento, duas expressões para designar a divindade: uma é “Jahvéh"(
Tentativa de transliteração), outra é “Eloim“. Pelo parecer de todos os hebraizantes, a primeira se aplica ao mesmo ser de Deus, à sua suprema essência: está sempre no singular. A segunda exprime a idéia da presença de Deus e do seu poder: vem sempre no plural e significa “os deuses”; mas, o que não deixa de surpreender é que esta palavra sempre no plural, rege sempre no singular o verbo que a segue. Assim o primeiro versículo da Bíblia traduzir-se-ia literalmente: “No princípio, “os deuses” fez o céu e a terra“. Os sábios não duvidam em ver, nesta palavra “Eloim” e no modo de se usar dela, uma expressão que deixa entender a existência de várias pessoas em Deus. 

Na Tradição da Igreja encontramos várias provas da Santíssima Trindade.


a) Testemunho dos Mártires. Era para confessar a sua fé na divindade das três pessoas e particularmente em Nosso Senhor, que numerosos mártires sofriam os suplícios mais cruéis. Assim, para citarmos um exemplo apenas, S. Policarpo (166), discípulo de S. João, exclamava em frente da fogueira acesa: “Eu vos glorifico em todas as coisas, a vós, ó meu Deus, com vosso eterno e divino Filho, Jesus Cristo, a quem, com o Espírito Santo, seja honra, agora e para sempre“. 

b) Testemunho dos Padres da Igreja. Nos escritos de certos Padres, encontram-se testemunhos valiosíssimos desta nossa crença. Santo Inácio de Antioquia fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo como sendo três pessoas às quais devemos respeito igual. Santo Irineu diz que “a Igreja, espalhada pelos Apóstolos até os confins do universo, crê em Deus Pai todo-poderoso, em Jesus Cristo, seu Filho, encarnado por nossa salvação e no Espírito Santo que falou pelos profetas“. Claríssimas são, também, na sua conclusão, as palavras de Tertuliano: “O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito-Santo é Deus e Deus é cada um deles“. 
 
c) Prática da Igreja. De acordo com sua crença, a Igreja sempre administrou o batismo em nome das três pessoas. Ocupa o primeiro lugar na liturgia, o mistério da Santíssima Trindade. Dela fazem menção todas as bênçãos, todas as orações, todas as cerimônias, quer por meio do sinal da cruz, quer pela dexologia: “Glória ao Pai ao Filho e ao Espírito Santo“. 

Ademais, sem a divindade de Nosso Senhor, não haveria a redenção, que consiste na crucifixão e morte de Nosso Senhor sobre a Cruz. Se Cristo não fosse Deus, o “pecado original” e os nossos “pecados atuais” não poderiam ter sido remidos, visto terem um valor infinito (pois foram praticados contra Deus, que é infinito) e precisarem de um ser infinito para os expiar. 

Uma pequena explicação filosófica

Para dar uma explicação mais simples, sendo Deus onipotente e sendo o existir próprio à eternidade de Deus e à sua natureza: “Eu sou aquele que é“, a imagem que Deus tem de si mesmo é o seu Filho, o verbo de Deus. 

A este pensamento vivo em que Deus se expressa perfeitamente a si mesmo chamamos Deus Filho. Deus Pai é Deus conhecendo-se a si mesmo; Deus filho é a expressão do conhecimento que Deus tem de si. Assim, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade é chamada Filho, precisamente porque é gerada desde toda a eternidade, engendrada na mente divina do Pai. Também a chamamos Verbo de Deus, porque é a “palavra mental” em que a mente divina expressa o pensamento sobre Si mesmo. 

 
Depois, Deus Pai (Deus conhecendo-se a Si mesmo) e Deus Filho (o conhecimento de Deus sobre Si mesmo) contemplam a natureza que ambos possuem em comum. Ao verem-se (falamos, naturalmente, em termos humanos), contemplam nessa natureza tudo o que é belo e bom – quer dizer, tudo o que produz amor – em grau infinito. E assim, a vontade divina origina um ato de amor infinito para com a bondade e a beleza divinas. Uma vez que o amor de Deus por Si mesmo, tal como o conhecimento de Deus sobre Si mesmo, é da própria natureza divina, tem que ser um amor vivo. Este amor, infinitamente intenso, que eternamente flui do Pai e do Filho, é o que chamamos Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho. É a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. 

Para deixar mais claro o assunto, ainda é necessário fazer uma distinção entre a pessoa (personalidade), e a natureza (que em Deus se confunde com a e essência e a substância). 

O Mistério da Santíssima Trindade consiste propriamente no fato de uma essência ou natureza única que subsiste em três pessoas. 

Pessoa é a substância completa dotada de razão individual e autônoma. Na verdade, possuem todos os homens a mesma natureza: todos têm corpo e alma racional. Entretanto, esta natureza comum existe em cada um deles de modo diferente. Ora, o que distingue um homem de outro homem, o que cada um tem de especial, é que constitui sua autonomia, seu “eu” e chama-se “personalidade”, a “pessoa”. 

Desta forma, Deus Filho tinha a mesma natureza de Deus Pai, mas não era a mesma Pessoa. 

Uma explicação mais acessível

Suponha que você se olha em um espelho de corpo inteiro. Você vê uma imagem perfeita de si mesmo, com uma exceção: não é senão um reflexo no espelho. Mas se a imagem saísse dele e se pusesse ao seu lado, viva e palpitante como você, então sim, seria a sua imagem perfeita. Porém, não haveria dois ‘vocês’, mas um só ‘você’, uma natureza humana. Haveria duas ‘pessoas’, mas só uma mente e uma vontade, compartilhando o mesmo conhecimento e os mesmos pensamentos. 

Depois, já que o amor de si (o amor de si bom) é natural em todo ser inteligente, haveria uma corrente de amor ardente e mútuo entre você e a sua imagem. Agora, dê asas à sua fantasia e pense na existência desse amor como uma parte tão de você mesmo, tão profundamente enraizado na sua própria natureza, que chegasse a ser uma reprodução viva e palpitante de você mesmo. Este amor seria uma ‘terceira pessoa’ (mas, mesmo assim, nada mais que um ‘você’, lembre-se; uma só natureza humana), uma terceira pessoa que estaria entre você e a sua imagem, e os três, de mãos dadas: três pessoas numa só natureza humana. 

Esse exemplo, muito imperfeito, pode nos ajudar um pouco a entender a relação entre as três Pessoas da Santíssima Trindade: Deus Pai “olhando-se” a Si mesmo em sua mente divina (criadora) e mostrando ali a Imagem de Si, tão infinitamente perfeita que é uma imagem viva: Deus Filho; e Deus Pai e Deus Filho amando como amor vivo a natureza divina que ambos possuem em comum: Deus Espírito Santo. Três pessoas divinas, uma natureza divina. 

É claro, é só um exemplo, muito imperfeito, mas que nos ajuda a compreender o grande mistério que é a Santíssima Trindade, base de nossa Fé, fundamento de nossa Redenção, sustentáculo de nossas vidas e no qual, todos os dias, através do sinal da Cruz, nós afirmamos a nossa fé: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 

Extraído, com adaptações, de vários livros.

Luz, esplendor e graça na Trindade e da Trindade

Das Cartas de Santo Atanásio, bispo 
(Ep. l ad Serapionem, 28-30: PG 26,594-595.599) 
(Séc. IV) 
Não devemos perder de vista a tradição, a doutrina e a fé da Igreja católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram. De fato, a tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dela se afasta deixa de ser cristão e não merece mais usar este nome. 
Santo Atanásio 
  
Ora, a nossa fé é esta: cremos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e ação. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma a unidade da Santíssima Trindade. Por isso, proclama-se na Igreja um só Deus, que reina sobre tudo, age em tudo e permanece em todas as coisas (cf. Ef 4,6). Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo; e permanece em todas as coisas no Espírito Santo.

São Paulo, escrevendo aos coríntios acerca dos dons espirituais, tudo refere a Deus Pai como princípio de todas as coisas, dizendo: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos (lCor 12,4-6).

Os dons que o Espírito distribui a cada um vêm do Pai por meio do Verbo. De fato, tudo o que é do Pai é do Filho; por conseguinte, as graças concedidas pelo Filho, no Espí­rito Santo, são dons do Pai. Igualmente, quando o Espírito está em nós, está em nós o Verbo, de quem recebemos o Espírito; e, como o Verbo, está também o Pai. Assim se cumpre o que diz a Escritura: Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14,23). Pois onde está a luz, aí também está o esplendor da luz; e onde está o esplendor, aí também está a sua graça eficiente e esplendorosa.

São Paulo nos ensina tudo isto na segunda Carta aos coríntios, com as seguintes palavras: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós (2Cor 13,13). Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim também não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito Santo. Realmente, participantes do Espírito Santo, possuí­mos o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do mesmo Espírito.