S.
Francisco de Sales, no seu "Tratado do amor de Deus", exprime
essa verdade de um modo singelo e glorioso! "A torrente da iniqüidade
original veio lançar as suas ondas impuras sobre a conceição da Virgem Sagrada,
com a mesma impetuosidade que sobre a dos demais filhos de Adão; mas chegando
ali, as vagas do pecado não passaram além, mas se detiveram, como outrora o
Jordão no tempo de Josué, aqui respeitando a arca da aliança a torrente parou;
lá em atenção ao Tabernáculo da verdadeira aliança, que é a Virgem Maria, o
pecado original se deteve." Nosso Canal
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
A nova e eterna Arca da Aliança
S.
Francisco de Sales, no seu "Tratado do amor de Deus", exprime
essa verdade de um modo singelo e glorioso! "A torrente da iniqüidade
original veio lançar as suas ondas impuras sobre a conceição da Virgem Sagrada,
com a mesma impetuosidade que sobre a dos demais filhos de Adão; mas chegando
ali, as vagas do pecado não passaram além, mas se detiveram, como outrora o
Jordão no tempo de Josué, aqui respeitando a arca da aliança a torrente parou;
lá em atenção ao Tabernáculo da verdadeira aliança, que é a Virgem Maria, o
pecado original se deteve." Belíssimo soneto a Santa Mãe de Deus
Em 1823,
dois sacerdotes dominicanos, Pes. Bassiti e Pignataro estavam exorcizando um
menino possesso, de 12 anos de idade, analfabeto. Para humilhar o demônio,
obrigaram-no, em nome de Deus, a demonstrar a veracidade da Imaculada Conceição
de Maria. Para surpresa dos sacerdotes, pela boca do menino possesso, o demônio
compôs o seguinte soneto:

"Sou verdadeira mãe de Deus que é filho,
E sou sua filha, ainda ao ser-lhe mãe;
Ele de eterno existe e é meu filho,
E eu nasci no tempo e sou sua mãe.
Ele é meu Criador e é meu filho,
E eu sou sua criatura e sua mãe;
Foi divinal prodígio ser meu filho
Um Deus eterno e ter a mim por mãe.
O ser da mãe é quase o ser do filho,
Visto que o filho deu o ser à mãe
E foi a mãe que deu o ser ao filho;
Se, pois, do filho teve o ser a mãe,
Ou há de se dizer manchado o filho
Ou se dirá Imaculada a mãe.
Conta-se que
o Papa Pio IX chorou, ao ler esse soneto que contém um profundíssimo argumento
de razão em favor da Imaculada.
INVOCAÇÃO A JESUS E MARIA
Ó Salvador do mundo, ó amante das almas, ó Senhor, o mais digno objeto
de nosso amor, vós, por meio de vossa Paixão, viestes a conquistar os nossos
corações, testemunhando-lhes o imenso afeto que lhes tendes, consumando
uma redenção que a nós trouxe um mar de bênçãos e a vós um mar de penas
e ignomínias. Foi por este motivo principalmente que instituístes o SS. Sacramento
do altar, para que nos lembrássemos continuamente de vossa Paixão,
como diz S. Tomás: ut autem tanti beneficii jugis in nobis maneret memoria,
corpus suum in cibum fidelibus dereliquit (Opusc. 57). E já antes dele disse S.
Paulo: Quotiescumque enim manducabitis panem hunc... mortem Domini
annunciabitis (1Cor 11,26). Como tais prodígios de amor já tendes conseguido
que inúmeras almas santas, abrasadas nas chamas de vosso amor, renunciassem
a todos os bens da terra, para se dedicarem exclusivamente a amar tão
somente a vós, amabilíssimo Senhor. Fazei, pois, ó meu Jesus, que eu me
recorde sempre de vossa Paixão e que, apesar de miserável pecador, vencido
finalmente por tantas finezas de vosso amor, me resolva a amar-vos e a dar-vos
com o meu pobre amor algumas provas de gratidão pelo excessivo amor que
vós, meu Deus e meu Salvador, me tendes demonstrado. Recordai-vos, ó Jesus
meu, que eu sou uma daquelas vossas ovelhinhas, por cuja salvação viestes
à terra sacrificar vossa vida divina. Eu sei que vós, depois de me terdes remido
com vossa morte, não deixastes de me amar e ainda me consagrais o mesmo
amor que tínheis ao morrer por mim na cruz. Não permitais que eu continue a
viver ingrato para convosco, ó meu Deus, que tanto mereceis ser amado e tanto
fizestes para ser de mim amado.
E vós, ó SS. Virgem Maria, que tivestes tão grande parte na Paixão de
vosso Filho, impetrai-me pelos merecimentos de vossas dores a graça de experimentar
um pouco daquela compaixão que sentistes na morte de Jesus e
obtende-me uma centelha daquele amor, que constituiu o martírio de vosso
coração tão compassivo.
Suplico-vos, Senhor Jesus Cristo, que a força de vosso amor, mais ardente
que o fogo, e mais doce que o mel, absorva a minha alma, a fim de que eu
morra por amor de vosso amor, ó vós que vos dignastes morrer por amor de
meu amor.
Amém.
A DIGNIDADE DO PADRE
PRIMEIRA PARTE
MATERIAIS PARA OS SERMÕES
A dignidade do Padre
I
Idéia da dignidade sacerdotal
Diz Sto. Inácio mártir que a dignidade sacerdotal tem a supremacia entre
todas as dignidades criadas2. Santo Efrém exclama: “É um prodígio espantoso
a dignidade do sacerdócio, é grande, imensa, infinita3. Segundo S. João
Crisóstomo, o sacerdócio, embora se exerça na terra, deve ser contado no
número das coisas celestes4. Citando Sto. Agostinho, diz Bartolomeu Chassingque o sacerdote, alevantado acima de todos os poderes da terra e de todas
as grandezas do Céu, só é inferior a Deus5. e Inocêncio III assegura que o
sacerdote está colocado entre Deus e o homem; é inferior a Deus, mas maior
que o homem6.
Segundo S. Dionísio, o sacerdócio é uma dignidade angélica, ou antes
divina; por isso chama ao padre um homem divino7. Numa palavra, concluí
Sto. Efrém, a dignidade sacerdotal sobreleva a tudo quanto se pode conceber8.
Basta saber-se que, no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem
ser tratados como a sua pessoa: Quem vos escuta, a mim escuta; e quem
vos despreza, a mim despreza9. Foi o que fez dizer ao autor da Obra imperfeita:
Honrar o sacerdote de Cristo, é honrar o Cristo; e fazer injúria ao sacerdote
de Cristo, é fazê-la a Cristo”10. Considerando a dignidade dos sacerdotes,
Maria d’Oignies beijava a terra em que eles punham os pés.
A SELVA
POR
SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO
TRADUÇÃO de Pe. MARINHO
72, Rua do Picaria, 74
1928
Pg. 6
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