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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A Sagrada Família modelo de paz e concórdia



Consideremos o amor de José, para com sua santíssima Esposa. Era Ela a mais formosa entre todas as mulheres, a mais humilde, a mais obediente, a mais pura das almas, e a que Deus mais amou, acima de todos os homens e de todos os Anjos. Merecia, pois que São José, que tanto amava a virtude, Lhe dedicasse um amor extremo, superior a toda apreciação. A todos estes atrativos juntemos ainda o do afeto, com que se via amado de Maria, que certissimamente queria a sua Esposa mais do que a todas as outras criaturas. Por outro lado considerava-A como a Amada do Senhor e a escolhida dentre todas, para ser a Mãe do Seu Unigênito Filho. Fácil será de conceber qual seria, por todos estes motivos, o afeto do coração justo, generoso e agradecido de São José para com sua castíssima Esposa. Consideremos, além disso, o amor de José e de Maria ao seu Jesus. Havendo-os Deus escolhido para servirem de pais ao Seu Unigênito, lhes havia adornado os corações com o amor paternal o mais acrisolado, qual convinha tivessem a semelhante Filho, tão amável e que era o próprio Deus.
 
Não foi, pois, simplesmente natural o amor de José e de Maria, como os dos outros pais; mas foi sobrenatural, por isso que viam numa só pessoa reunidos o seu próprio Filho e o de Deus: Sabiam ser este Menino, que sempre os acompanhava, o próprio Verbo divino Encarnado por amor dos homens e particularmente por amor seu: que este adorável Infante por Si mesmo os havia a eles escolhido; dentre todos os homens, para serem seus pais, e protetores de Sua vida terrena.

Avaliemos, pois, se é possível, como todas estas considerações haviam de abrasar em incêndios de amor os corações de José e de Maria, ao verem o seu divino Mestre, servindo como operário, abrindo ou fechando a oficina, serrando madeira, manejando a plaina ou o machado, juntando os cavacos e fragmentos, varrendo a casa, e obedecendo-lhes, numa palavra, em tudo quanto Lhe mandavam, e dependendo de sua autoridade em tudo quanto fazia. 

De que terníssimos afetos se não inundariam os corações de José e de Maria, quando tinham ao colo este amabilíssimo Menino, quando Lhe prodigalizavam as suas carícias, ou dEle as recebiam! quando ouviam sair de Seus lábios essas palavras de vida eterna, que eram outras tantas setas ardentes de amor divino, que lhes atravessavam e incendiavam as almas: e sobretudo quando contemplavam os sublimes exemplos de virtude, que lhes dava o seu divino companheiro! 

Entre as pessoas que se amam sucede muitas vezes, que o amor se vai entibiando, a medida que se freqüentam, porque, quanto mais se tratam e comunicam melhor manifestam umas às outras os próprios defeitos. Não era, porém, assim com José e Maria; quanto mal tratavam com Jesus melhor lhe conheciam a santidade e às perfeições: e daqui se pode avaliar o grau de amor de Jesus, a que deviam ter chegado, gozando por tantos anos de Sua companhia e familiaridade.  

O adorável Menino correspondia, por Seu turno, com um amor divino àqueles que tanto O amavam. 

Oh! que admirável paz, que incendrada e mutua caridade reinava entre os membros da Sagrada Família de Nazaré. 

Oração jaculatória. - Doce coração de Jesus, sede a minha salvação. 
(300 dias de indulgência de cada vez.) 

(A Sagrada Família, por um padre redentorista, 1910, versão do Espanhol por Manuel Moreira Aranha Furtado de Mendonça, Cônego honorário da Sé de Lamego, 3ª Edição, com Breve de Sua Santidade Leão XIII)
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Ainda não falam e já proclamam Cristo


Dos Sermões de São Quodvultdeus, bispo
(Sermo 2 de Symbolo: PL 40,655)
(Séc. V)

Nasceu um pequenino que é o grande Rei. Os magos chegam de longe e vêm adorar, ainda deitado no presépio, aquele que reina no céu e na terra. Ao anunciarem os magos o nascimento de um Rei, Herodes se perturba e, para não perder o seu reino, quer matar o recém-nascido. No entanto, se tivesse acreditado nele, poderia reinar com segurança nesta terra e para sempre na outra vida.

Por que temes, Herodes, ao ouvir que nasceu um Rei? Ele não veio para te destronar, mas para vencer o demônio. Como não compreendes isso, tu te perturbas e te enfureces; e, para que não escape o único menino que procuras, tens a crueldade de matar tantos outros.

Nem as lágrimas das mães nem o lamento dos pais pela morte de seus filhos, nem os gritos e gemidos das crianças te comovem. Matas o corpo das crianças porque o medo matou o teu coração; e julgas que, se conseguires teu propósito, poderás viver muito tempo, quando precisamente é a própria Vida que queres matar.

Aquele que é a fonte da graça, pequenino e grande ao mesmo tempo, reclinado num presépio, apavora o teu trono. Por meio de ti, e sem que saibas, realiza os seus desígnios e liberta as almas do cativeiro do demônio. Recebe como filhos adotivos os filhos dos que eram seus inimigos.

Essas crianças morrem pelo Cristo, sem saberem, enquanto seus pais choram os mártires que morrem. Cristo faz suas legítimas testemunhas aqueles que ainda não falam. Eis como reina aquele que veio para reinar. Eis como já começa a conceder a liberdade aquele que veio para libertar, e a dar a salvação aquele que veio para salvar.

Tu, porém, Herodes, ignorando tudo isto, te perturbas e te enfureces; e enquanto te enfureces contra o Menino, já lhe prestas homenagem, sem o saberes. Ó imenso dom da graça! Que méritos tinham aquelas crianças para obterem tal vitória? Ainda não falam e já proclamam o Cristo. Não podem ainda mover os membros para a luta e já ostentam a palma da vitória.
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domingo, 25 de dezembro de 2016

Missa de Natal na Capela Notre Dame de Bonne Délivrance de la Pointe Denis.

Neste Natal nosso blog deseja a todos nossos leitores e amigos que o Menino Deus possa nascer a cada dia em suas vidas.

Queremos compartilhar com vocês a missa de Natal celebrada na Forma Extraordinária na pequena capela de Notre Dame de Bonne Délivrance de la Pointe Denis.


Um verdadeiro exemplo de trabalho missionário, realizado pelos padres do Instituto Cristo Rei, onde não se perde a verdade da Santa Doutrina nem o amor as almas. 














O Presépio


Não menos do que a cruz, o presépio é a escola da vida interior. Começamos pelo presépio e acabamos pela cruz: um contém elementos dessa vida, e outra encerra a sua consumação. E como, em todas as ciências, os elementos são o que há de mais importante e necessário, estudemos o presépio e esforcemo-nos por traduzir em nosso procedimento o que ele nos ensina. Contemplemos o Verbo feito carne, o Filho de Deus tornado criancinha. Vejamos quais eram as Suas disposições ao nascer; consideremos as circunstâncias exteriores do Seu nascimento e quais foram as pessoas por Ele chamadas ao presépio.


Foi atraído à terra pelo amor que dedicava a Seu Pai e aos homens. O sentimento que Lhe enchia o coração era o de oferecer-Se em holocausto ao Pai para reparar a Sua glória e salvar o gênero humano. São Paulo, após David, no-lo ensina. Diz o apóstolo: ao entrar no mundo exclamou: "Os sacrifícios e as vítimas da antiga lei não Vos agradaram, mas me destes um corpo. Então disse: Eis-me aqui, para cumprir, ó meu Deus, a Vossa vontade". E qual era essa vontade?

Vontade infinitamente rigorosa, segundo a qual devia Ele sobrecarregar-Se de todos os nossos pecados e suportar o peso da justiça divina. Tem, pois, essa vontade ao nascer, a ele submete-se com amor. Desde o berço visa a Cruz, suspira pela cruz e o Seu primeiro desejo é morrer nela pregado para apaziguar o Pai e nos reunir.

Aprendamos por aí que a cruz é o grande objeto da vida interior; a primeira coisa que, ao ingressarmos nesta, Deus nos apresenta e a sua aceitação o primeiro sentimento do coração entregue inteiramente a Deus. Ora a cruz significa esquecimento, perda completa de nós mesmos em Deus, sacrifício perfeito de todos os interesses para só pensarmos nos interesses de Deus. Só Ele que no-lo propõe, nos inspira a coragem de aceitá-lo e nos dá a força para realizá-lo. Mas, da nossa parte, não devemos arrastá-lo constantemente e suspirar pela sua realização como fez Jesus Cristo.

Mas por que nasceu Ele criancinha? Por que não veio ao mundo, como Adão, em estado de homem feito? Dependia, certamente, d'Ele vir assim, mas teve razões para preferir o estado de infância. E a principal de todas foi o desejo de nos ensinar que, uma vez entregues a Deus, é preciso depositarmos a Seus pés o nosso discernimento, a nossa vontade e força; volvermos inteiramente à pequenez, à fraqueza e à falta de juízo da criança; em suma, aniquilarmos todo o passado, ficarmos em novo estado, iniciarmos vida nova, cujo princípio é Deus. 

E que vida é essa? Dependência perfeita da graça, simplicidade e obediência. Contemplemos o nascimento de Jesus Cristo: Ele adora ao Pai tão perfeitamente no berço, quanto na cruz. Toda a Sua admiração, porém, está contida no coração: nada diz, nada faz, está como que aniquilado: e nesse próprio aniquilamento consiste a perfeição da Sua homenagem.

Compreendamo-lo bem, nós que nos queixamos diante de Deus como animais, sem pensamento, sem palavra, sem ação. Este estado, que é a morte do amor próprio, é incomparavelmente mais agradável a Deus, do que tudo quanto o nosso espírito, o nosso coração, e a nossa boca pudessem exprimir de mais sublime.

Calarmo-nos diante de Deus, humilharmo-nos, aniquilarmos, como se aí não estivéssemos, é a adoração perfeita em espírito e verdade. Que necessidade tem Deus das nossas luzes e dos nossos sentimentos que só servem para alimentar secreto orgulho e vã complacência em nós mesmos? Quanto mais se aproximar a nossa oração da de Jesus Menino, quanto mais humilde e desprezível ela nos parecer, tanto mais elevada será aos olhos de Deus.

Passemos as circunstâncias exteriores do nascimento de Jesus.

A Virgem Maria, repelida de todas as hospedarias, vê-Se obrigada a procurar abrigo em um estábulo.

Aí nasce o Filho de Deus: no seio da pobreza, humilhação e sofrimento. Uma manjedoura, na qual há um pouco de palha, serve-Lhe de berço; são pobres os paninhos que O envolvem; no meio da noite, na mais rude estação do ano, em lugar exposto a todos os ventos, o Seu tenro e delicado corpo é sujeito a todas as intempéries do ar. Ninguém assiste ao Seu nascimento; nenhum socorro ou alívio Lhe é prestado.

Que entrada no mundo para o Filho de Deus! Para Aquele que vem resgatar o mundo e fora anunciado desde o começo do mundo aos nossos primeiros pais como o libertador do gênero humano! Quem jamais acreditaria que Ele escolhesse nascimento tão pobre, tão obscuro, tão amargurado!

Mas como esse nascimento é instrutivo para aqueles que o Espírito Santo faz nascer para a vida interior!

No Menino divino encontram modelo perfeito das três virtudes que devem dali em diante ser as Suas companheiras inseparáveis: Completo desapego dos bens da terra, até abraçar a mais rigorosa penitência, se assim aprouver a Deus. Soberano desprezo de todas as honras mundanasaté desejar ser não só ignorado, mas também ridicularizado e menosprezado. Renúncia absoluta de todos os prazeres do mundo, até entregar o corpo a todo gênero de mortificações. Eis a lição que Jesus, ao nascer, deu às almas interiores. Durante toda Sua vida Ele amou e praticou o que escolhera no presépio. Foi sempre pobre, vivendo do trabalho manual, não tendo nem sequer onde repousar a cabeça. Foi sempre desconhecido pelo mundo, ou vítima dos seus desprezos, das suas calúnias e perseguições. Absteve-Se de todos os prazeres, e sofreu, na Sua vida particular e pública, todas as privações e dores imagináveis. Na Sua morte demonstrou no mais elevado grau a prática dessas três virtudes.

Abracemo-las também ao entrarmos na vida espiritual, e jamais delas nos separemos.

Finalmente, quais foram às pessoas admitidas no presépio de Jesus? É coisa bem notável terem aí comparecido apenas as que foram chamadas por uma voz celeste ou por sinal milagroso. Isto nos ensina que para adotarmos a vida interior, cujo começo o presépio simboliza, precisamos ter vocação divina e que, portanto, ninguém de motu proprio pode nela entrar. Podemos, no entanto, contribuir para a vocação mediante algum preparo nosso, isto é, procurando ter as mesmas disposições e, que estavam os pastores e os magos.

Devemos, pois, a exemplo dos pastores, ser simples, pobres de espírito e pequenos; como eles ter grande retidão de coração, viver na inocência ou romper absolutamente com o pecado. Geralmente são ainda as pessoas de condição comum, de vida humilde e obscura, ignoradas e desprezadas pelo mundo, as que Deus chama à vida interior.

Ao demais, os pastores, mesmo durante a noite, velavam pelos seus rebanhos - o que demonstra constituírem preparo para a vocação do céu a vigilância e atenção para nós mesmos, o temor de Deus, a delicadeza da consciência - a fuga das ocasiões. Os pastores prestaram ouvidos às palavras dos anjos, acreditaram sem refletir ou raciocinar, e, abandonando tudo, partiram imediatamente para ver o Menino recém-nascido. Assim também a alma deve escutar com atenção o que Deus lhe diz ao coração, crer na Sua palavra com fé humilde e cega, largando tudo para seguir pronta e fielmente o instinto da graça.

Nas pessoas dos magos, os grandes e sábios são também chamados ao presépio, porém, grandes humildes, desapegados de tudo, prontos a sacrificar tudo para acudir ao chamado de Deus, sábios sem arrogância, sem presunção, dóceis à luz divina, ante a qual fazem calar todos os raciocínios. Tais foram um São Luiz, um Santo Agostinho, tantos santos de ambos os sexos, distintos pelo brilho do seu nascimento e dos seus cargos, ou pela extensão de seu gênio e dos seus conhecimentos.

O caráter de Herodes, dos fariseus, dos sacerdotes e doutores da lei dá-nos a conhecer aqueles que Jesus rejeita e que a seu turno não aproveitam os meios ordinários fornecidos pela graça para o conhecimento e a prática da vida interior.


(Manual das almas interiores - Compêndio de Opúsculos inéditos do Pe. Grou, da Companhia de Jesus, 1932, Vozes de Petrópolis)

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Momento Cultural - Calata ala Spagnola nº 6




Calata ala Spagnola nº 6 – Joan Ambrosio Dalza




Concerto "A História da Música - Do Gregoriano ao Barroco" realizado no Mosteiro de São Bento de São Paulo em 11-12-2015. Participação do Coro Gregoriano Exultet, Camerata Santa Cecília e Flammula Chorus


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Momento Cultural - Imperayritz de la Ciutat Joyosa


Imperayritz de la Ciutat Joyosa 


Libre Vermell de Montserrat (sec. XIV)
Camerata Santa Cecíla

Concerto "A História da Música - Do Gregoriano ao Barroco" realizado no Mosteiro de São Bento de São Paulo em 11-12-2015. Participação do Coro Gregoriano Exultet, Camerata Santa Cecília e Flammula Chorus.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Uma das explicações contra a consulta de horóscopos



ACERCA DA CONSULTA AOS ASTROS 
Santo Tomás de Aquino 

Como pediste que te escrevesse a propósito da licitude da consulta aos astros, cuidei escrever, desejando satisfazer teu pedido, sobre aquilo que nos foi transmitido pelos Santos Doutores


        Antes de tudo, é necessário que saibas que a virtude dos corpos celestes se estende à moção dos corpos inferiores. Com efeito, disse Santo Agostinho no livro quinto d´A Cidade de Deus: “Definitivamente, nem sempre é absurdo dizer que determinados astros podem ocasionar mudanças nos corpos”. E assim, se alguém recorre aos julgamentos dos astros para conhecer de antemão certos efeitos corporais, como a tempestade ou a serenidade do tempo, o vigor ou a fraqueza de um corpo, a fecundidade ou infecundidade das colheitas, e coisas similares, que dependam de causas corporais e naturais, não parece haver pecado. Pois, todos os homens recorrem a alguma observação dos corpos celestes em vista de conhecer efeitos deste tipo: os agricultores semeiam e colhem em períodos exatos após a observação do movimento do sol; os marinheiros evitam navegar quando a lua está cheia ou nas noites sem lua; os médicos examinam as doenças em dias específicos, determinados pelo curso do sol e da lua. Donde não há inconveniente na consulta aos astros com relação a efeitos corporais, fundada na observação de estrelas menos evidentes. 

        Mas é preciso absolutamente compreender que a vontade do homem não está sujeita à necessidade dos astros; de outro modo, pereceria o livre arbítrio, e sem este, não se poderiam atribuir as boas ações ao mérito do homem, nem as más à sua culpa. E, por esta razão, todo cristão deve ter por certo que o que depende da vontade do homem — todas as obras humanas são desta espécie — não está submetido à vontade dos astros. Por isso lemos nas Escrituras (Jr. 10, 2): Não vos espanteis com os sinais dos céus; porque com eles os gentios se atemorizam. 
        Mas o diabo, a fim de arrastar os homens ao erro, imiscui-se nas predições daqueles que se voltam aos julgamentos astrais <para conhecer o devir nos assuntos humanos>. É o motivo pelo qual Santo Agostinho disse em seu Comentário Literal Sobre o Gênese: é preciso reconhecer que, quando os astrólogos predizem com veracidade, é devido a qualquer influência ocultíssima que os espíritos humanos põem ao seu serviço; e quando tal se dá com a intenção de mistificar os homens, é obra dos espíritos imundos e sedutores, que podem ter dos afazeres temporais algum conhecimento verdadeiro. Por este motivo, Agostinho diz ainda, no livro segundo de seu tratado Sobre a Doutrina Cristã, que as observações astrais desta espécie equivalem a um pacto contraído com demônios.

        Ora, o cristão deve evitar totalmente ter pacto ou sociedades com demônios, segundo esta palavra do Apostolo (I Cor. 10, 20): Não quero que vos torneis associados aos demônios. E assim, deve ser tido por certo que a consulta aos astros sobre o que depende da vontade do homem é um pecado grave. 
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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Momento Cultural - Salve Mater Gratiae


Concerto "A História da Música - Do Gregoriano ao Barroco" realizado no Mosteiro de São Bento de São Paulo em 11-12-2015. Participação do Coro Gregoriano Exultet, Camerata Santa Cecília e Flammula Chorus


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Breve método para conhecer a vontade de Deus.


São Francisco de Sales
Tratado do amor de Deus
Livro oitavo, Capítulo XIV

São Basílio diz que a vontade de Deus nos é manifestada por Suas ordens ou mandamentos, e que então nada há que deliberar; porque se deve fazer com simplicidade aquilo que é ordenado; mas que, quanto ao mais, na nossa liberdade está o escolhermos a nosso gosto o que bem nos parecer, embora não se deva fazer tudo o que é lícito, mas só o que é conveniente; e que, enfim, para bem discernir o que é conveniente, deve-se ouvir o conselho do prudente pai espiritual.
 
Mas, Teótimo advirto-vos de uma tentação aborrecida que múltiplas vezes sobrevém às almas que têm grande desejo de em tudo seguir aquilo que é mas conforme à vontade de Deus; pois em todas, as ocorrências o inimigo as põe em dúvida sobre se é a vontade de Deus que elas façam uma coisa de preferência a outra; como, por exemplo, se é vontade de Deus que elas comam com o amigo ou não comam, que usem roupas cinzentas ou pretas, que jejuem na sexta-feira ou o sábado, que vão à recreação ou que dela se abstenha coisa em que elas consomem muito tempo; e, enquanto se ocupam e embaraçam em querer discernir o que melhor, perdem inutilmente o tempo de fazer vários bens, cuja execução daria mais glória a Deus do que poderia dá-la o discernimento do bom e do melhor em que elas se distraíram.

Não se costuma pesar a moeda miúda, mas some nas moedas de importância. O comércio seria por demais aborrecido e consumiria muito tempo se fosse preciso pesar os soldos, os "liards", os dinheiros e as pitas[1]. Assim não se devem pesar toda sorte de pequeninas ações para saber se elas valem mais do que outras. Há mesmo muita superstição em querer fazer esse exame: porquanto, a que propósito se há de pôr em dificuldade se é melhor ouvir missa numa igreja do que noutra, fiar do que coser, dar esmola a um homem do que a uma mulher? Não é servir bem um amo empregar tanto tempo em considerar o que se deve fazer quanto em fazer o que é necessário. Cumpre medirmos a nossa atenção pela importância daquilo que empreendemos: seria um cuidado desregrado dar-se tanto trabalho para deliberar sobre uma viagem de um dia a fazer, como sobre uma de trezentas ou quatrocentas léguas.

A escolha da vocação, o projeto de algum negócio de longa consequência, de alguma obra de longo fôlego, ou de alguma despesa muito grande, a mudança de residência, a escolha das conversas, e tais coisas semelhantes, merecem que pensemos seriamente sobre o que é mais conforme à vontade divina. Mas nas pequenas ações diárias, em que a própria falta não é nem de consequência nem irreparável, que necessidade há de fazer de atarefado, de atento e de embaraçado em fazer consultas importunas? A que fim me hei de pôr em despesas para saber se Deus gosta mais de que eu reze o rosário ou o ofício de Nossa Senhora, já que não haveria tanta diferença entre um e outro que para isso seja preciso fazer uma grande investigação? que eu vá ao hospital visitar os doentes, de preferência a ir às vésperas, que eu vá ao sermão de preferência a ir a uma Igreja onde há indulgência? Ordinariamente não há numa dessas coisas mais do que noutra nada tão aparentemente notável, que por isso se deva entrar em grande liberação. Deve-se andar com toda boa fé e sem sutileza em tais ocasiões; e, como diz São Basílio, fazer o que bem nos parecer, para não cansarmos o espírito, não perdermos o tempo e não nos põem em perigo de inquietação, escrúpulo e superstição. Ora, eu aqui entendo sempre o caso em que não há grande desproporção entre uma obra e outra, e não se encontra circunstância considerável de uma parte mais do da outra.


Nas próprias coisas de consequência, deve-se ser humilde, e não pensar achar a vontade de Deus à força de exame e de sutileza de raciocínio. Mas, depois de havermos pedido a luz do Espírito Santo, de te termos aplicado a nossa consideração à indagação do Seu plácito, tomado o conselho do nosso diretor e, se for o caso, de outras duas ou três pessoas espirituais, devemo-nos resolver e determinar em nome de Deus, e não devemos depois pôr em dúvida a nossa escolha, mas cultivá-la e sustentá-la devota, tranquila e constantemente. E, embora as dificuldades, tentações e diversidades de sucessos que se encontrem no progresso da execução do nosso desígnio possam suscitar-nos alguma desconfiança de não havermos escolhido bem, devemos todavia permanecer  firmes, e não olhar a tudo isso, considerar que, se houvéssemos feito outra escolha, talvez tivéssemos achado cem vezes pior: além de que não sabemos se Deus quer que sejamos exercitados na consolação ou na tribulação, na paz ou na guerra. Esta resolução santamente tomada, nunca se deve duvidar da santidade da execução: porquanto, se ela não depende de nós, não pode falhar; fazer diversamente é uma prova de grande amor-próprio ou de infância, fraqueza ou parvoíce de espírito.




[1] Pitas, moedinha de cobre, cunhada em Poitiers, latim Pictavum, valendo um quarto de um dinheiro.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Ó Virgem, pela tua benção é abençoada a criação inteira!

Das Meditações de Santo Anselmo, bispo
Oratio 52: PL 158,955-956 sec.XII

O céu e as estrelas, a terra e os rios, o dia e a noite, e tudo quanto obedece ou serve aos homens, congratulam-se, ó Senhora, porque a beleza perdida foi por ti de certo modo ressuscitada e dotada de uma graça nova e inefável. Todas as coisas pareciam mortas, ao perderem sua dignidade original que é estar em poder e a serviço dos que louvam a Deus. 

Para isto é que foram criadas. Estavam oprimidas e desfiguradas pelo mau uso que delas faziam os idólatras, para os quais não haviam sido criadas. Agora, porém, como que ressuscitadas, alegram-se pois são governadas pelo poder e embelezadas pelo uso dos que louvam a Deus.

Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria ao sentirem que Deus, seu Criador, não apenas as  governa invisivelmente lá do alto, mas também está visivelmente neles, santificando-as com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do bendito fruto do sagrado seio da Virgem Maria.

Pela plenitude da sua graça, aqueles que estavam na mansão dos mortos alegram-se, agora libertos; e os que estavam acima do céu rejubila-se renovados. Com efeito, pelo fim se seu cativeiro, e os anjos se congratulam  pela restauração de sua cidade quase em ruínas.

Ó mulher cheia e mais que cheia de graça, o transbordamento de tua plenitude faz renascer toda criatura! Ò Virgem bendita e mais que bendita, pela tua benção é abençoada toda a natureza, não só as coisas criadas pelo Criador, mas também o Criador pela criatura!

Deus deu a Maria o seu próprio Filho único, gerado de seu coração, igual a si, a quem amava como si mesmo. No seio de Maria, formou seu filho, não outro qualquer, mas o mesmo, para que, por natureza, fosse realmente um só e o mesmo Filho de Deus e de Maria! Toda a criação é obra de Deus, e Deus nasceu de Maria. Deus criou todas as coisas, e Maria deu à luz Deus! Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria. E deste modo refez tudo o que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado.

Por conseguinte, Deus é o pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai da CRIAÇÃO UNIVERSAL, E Maria a mãe da redenção universal. Pois Deus gerou aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou aquele sem o qual nada absolutamente existe, e Maria deu à luz aquele sem o qual nada absolutamente é bom.

Verdadeiramente o Senhor é contigo, pois quis que toda a natureza reconheça que deve a ti, juntamente com ele, tão grande benefício.
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Momento Cultural - Maria Matrem


Maria Matrem. Libre Vermell de Montserrat (sec. XIV)



Concerto "A História da Música - Do Gregoriano ao Barroco" realizado no Mosteiro de São Bento de São Paulo em 11-12-2015. Participação do Coro Gregoriano Exultet, Camerata Santa Cecília e Flammula Chorus.