Nosso Canal

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Aniversario natalício de Monsenhor Guido Marini


 Por Julio Henrique
 
Hoje é aniversario natalício de Monsenhor Guido Marini, nascido em Gênova no ano de 1965 completa 49 anos. No dia 4 de fevereiro faz 26 anos de sua ordenação Sacerdotal. Tornou-se mundialmente conhecido quando nomeado pelo Papa Bento XVI a ser mestre de Cerimônias Pontifícias, pois já demonstrava seu grande zelo pela Sagrada Liturgia quando mestre de celebrações dos cardeais Tettamanzi, Bertone e Angelo Bagnasco. Foi responsável por resgatar tradições e símbolos que já estavam esquecidos no vaticano, contribuindo com “reforma da reforma” de Bento XVI. Continua sendo mestre de Cerimônias do Papa Francisco e presidente do Pontifício comitê para os Congressos Eucarísticos internacionais.




Cerimônia solene pelos 10 anos da Santa Missa tridentina na capela de Santa Luzia de SP

No próximo dia 09 de fevereiro, às 11h00, ocorrerá na Igreja do Carmo, no centro de São Paulo, uma cerimônia solene pelos 10 anos de celebração do rito tridentino na Capela Santa Luzia de SP.
O celebrante será Dom Fernando Arêas Rifan, bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney.
Participarão da celebração, padres que já celebraram na Capela em anos anteriores, e o atual responsável pela celebração da Missa Tridentina, na própria Capela de Santa Luzia, o Padre Jonas dos Santos Lisboa, pertencente também ao clero da Administração Apostólica São João Maria Vianney.

No final da Santa Missa será cantado o "Te Deum".

A cerimônia solene ocorrerá no dia 09 de fevereiro de 2014 - domingo - às 11h00, na Igreja do Carmo, localizada na Avenida Rangel Pestana, 230 - Centro de São Paulo - próximo ao Poupatempo Sé.

II Domingo depois da Epifania - Padre Erico de Melo Falcão

 
Nota do Blog - Salve Maria. Caríssimos leitores e amigos, é como muita alegria que começaremos a postar no nosso blog os sermões do Reverendíssimo padre Erico de Melo Falcão, que com muita disponibilidade nos cedeu afim de que nossos leitores possam ter esse suporte doutrinário e espiritual. Padre Erico é da arquidiocese de Maceió e celebra todos os domingos as 8:00 da manha a Santa Missa Tridentina na Igreja São Benedito em Maceió. Desejamos a todos uma piedosa leitura. Salve Maria.
 

II Domingo depois da Epifania
 
A Epifania, como o próprio nome já diz (Epiphaneia – revelação-manifestação) é uma festa oriental, e no seu surgimento era a verdadeira festa natalina do Senhor, ou seja, a sua “aparição” na carne. A festa se encontra em Antioquia, no tempo de são João Crisóstomo (antes de 386), e no Egito, onde, segundo Cassiano, o Batismo e o nascimento humano do Senhor são celebrados juntos, num único dia.

Padre Erico de Melo Falcão
Muito cedo, porém, a festa havia entrado também no Ocidente, onde em algumas regiões talvez tenha inclusive precedido o Natal. Todavia, entrando em Ocidente, a Epifania encontrou quase por todo lugar já instalada a festa do Natal, e, portanto, seu objeto precisou diferenciar-se. Enquanto no oriente – pelo menos no começo – a Epifania era a festa da encarnação, entendido como vinda na carne e como manifestação (epifania) da divindade (batismo – Caná), no Ocidente esta foi principalmente a festa da “revelação de Jesus ao mundo pagão” (magos), mas frequentemente inclusive também a sua “revelação” em geral: no Batismo, em Caná, e também na multiplicação dos pães.

A leitura contínua da Carta aos Romanos desde o primeiro domingo depois da Epifania, que nós não celebramos por que coincidiu com a festa da Sagrada Família de Nazaré, nos coloca diante de um dos modos da Revelação de Deus. A palavra é proclamada com seu próprio dinamismo, tal como nela Deus foi revelando progressivamente seu desígnio de salvação através dos diversos livros inspirados. Ler os livros bíblicos em uma ordem dinâmica, que segue o mesmo ritmo com que Deus se dirigiu progressivamente aos seres humanos, ajuda a reviver espiritualmente as etapas da história da salvação e o progresso da revelação divina.

A liturgia, onde é proclamada a Palavra Divina, porém, não tem um caráter historicista, isto é, nós que pertencemos ao depois de Cristo, não devemos ser transportados para um hipotético e absurdo antes de Cristo. A liturgia, como caminho de fé, não se preocupa com a sucessão histórica dos fatos com o objetivo de trazê-los à nossa memória, mas vê nos fatos o mistério da salvação que eles contém e com o qual quer que nós entremos em contato. A liturgia não é mais sombra e figura daquilo que deve vir e que deve se cumprir. A sombra e a figura são do AT; a liturgia é, no NT, a imagem real, em outras palavras uma imagem que contém presente o Mistério de Cristo. A liturgia não é profecia, nem promessa, mas é presença.

Pelo anúncio litúrgico do Evangelho, A Igreja não se contenta de nós contar um fato da vida de Cristo, mas Ela coloca simbolicamente o Cristo e este fato diante de nós. Por isso que não é a toa que a Igreja cerca a leitura do Evangelho das mais grandes honrarias que se podem dirigir senão a Jesus Cristo visto como se estivesse presente (As velas, o incenso, o beijo, a inclinação profunda diante do Livro da Palavra de Deus, os sinais de cruz, o ambão). Assim então, no Evangelho de hoje, a Igreja nos representa o primeiro milagre. Este milagre se reproduz de uma maneira mais elevada ainda na Eucaristia. Daí vem que a Igreja queira cantar, durante o banquete eucarístico, algumas frases do Evangelho (e até algumas vezes, quando o canto da Comunhão não é suficiente, a Igreja o repete até que a comunhão termine). Porque é no momento mais sagrado, quando Nosso Senhor se une a nossa alma e torna-se um com ela que a Igreja diz : Vede, é agora a verdade, o Senhor guardou até agora o vinho melhor da Eucaristia, o milagre se realiza de uma maneira mais elevada no Santo-Sacrifício e na Comunhão.

A união sobrenatural de Jesus Cristo e de sua Igreja não é somente uma imagem e um símbolo do matrimônio. São Paulo fala de um grande mistério. Nós o traduzimos por símbolo misterioso e pleno de realidade. Trata-se pois mais de  uma figura que de uma simples comparação. No matrimônio há qualquer coisa de modelo onde ele é imagem. O homem possui qualquer coisa da essência e da presença de Cristo. A mulher não obedece ao homem que pode ter seus defeitos e seus caprichos, mas a Jesus Cristo que  habita sobrenaturalmente nele.  O homem, por sua vez, não ama mais tal pessoa ; seu amor deve ser sobrenatural, tornando-se o amor de Cristo por sua Igreja. Donde vem esta realidade mais elevada ? Do sacramento do matrimônio. Os cristãos de hoje custam para compreender e crer nisto. Então  é precisamente a eficácia dos sacramentos que coloca os homens num modo de ser mais elevado. O homem e a mulher tornam-se outros pelo matrimônio. Eles são, dentro de seus relacionamentos, seres sobrenaturalmente elevados e participam da vida de Cristo e da Igreja.
 

Toda a cena descrita no Evangelho de hoje, além de ser o primeiro milagre de Jesus, esconde um significado profundo, que o espírito humano pode dificilmente penetrar. Para os verdadeiros devotos da Virgem Maria, como é suave e reconfortante saber que Jesus, graças a ela, apressa a hora de sua manifestação ao mundo! Quid mihi et tibi est mulier ? nondum venit hora mea. Qualquer explicação que alguém queira dar a estas palavras, porque nelas o Salvador opõe sua transcendência divina a verdade de sua natureza humana que o torna filho respeitoso de sua Mãe, é certamente necessário  entendê-las num sentido afirmativo de graça, como as entende precisamente a Santíssima Virgem. Nondum venit hora mea.

Mas Jesus apressa nesta ocasião sua hora, e altera o plano maravilhoso de sua manifestação à humanidade ? Parece-nos que o sentido do pedido de Maria foi muito mais complexo do que nos parece e primeira vista. Ela pede o vinho, não exclusivamente aquele que faltava para a festa das núpcias, mas este outro também, do qual o milagre de Caná foi o símbolo : a divina Eucaristia.

Por isso aprendemos como se devem usar os diversos dons do Espírito Santo para a edificação comum. A distribuição diferente destas graças nos deve inspirar o máximo respeito pela vocação do outro, sem  pretender que nossa espiritualidade individual determine as condições do caminho sobrenatural do Espírito Santo nas almas dos outros. Cada um tem seu próprio lugar e seu próprio dom, mas um e outro são ordenados ao bem de todos, que é o de edificar o corpo místico de Cristo no cumprimento da  nossa vocação, a sabedoria nos faz permanecer nos nossos limites. Eis aqui o segredo da verdadeira grandeza cristã. Este é o tema da carta de são Paulo aos Romanos que estaremos ouvindo em modo contínuo nestes domingos, a carta mais antiga do apóstolo e que nos mostra como a vida da Igreja se torna vida do Corpo de Cristo pela caridade : o maior dom divino concedido a nós.

Padre Erico de Melo Falcão

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

3ª. Oficina de Canto Gregoriano em São Paulo: 29 e 30 de Março de 2014

Conceitos básicos do canto gregoriano segundo o método da escola de Solesmes

Prezados Amigos, Salve Maria!

Tendo em vista o número crescente de Missas no Rito Extraordinário, o número de interessados em Canto Gregoriano em todo o Brasil também tem crescido. A fim de ajudar as pessoas que queiram aprender o canto Gregoriano e a fim também de aperfeiçoar os coros já existentes em todo Brasil, o Coro Gregoriano Exultet realiza anualmente a Oficina de Canto Gregoriano, evento aberto a todos os rapazes e moças que queiram aprender este canto. Nessa jornada de estudos com duração de dois dias, serão dadas aulas teóricas e práticas a fim de ensinar os conceitos básicos do canto gregoriano segundo o método da escola de Solesmes.

A 3ª Oficinade Canto Gregoriano será realizada nos dias 29 e 30 de Março de 2014. O endereço do evento, horários e conteúdo das aulas estão descritos abaixo. Para maiores informações, entre em contato conosco através do  e-mail: gregoriano.exultet@gmail.com.
 
Informações adicionais

· Endereço: Rua Gaspar Fernandes, 650 – Vila Monumento – São Paulo – SP – 01549-000

· Inscrição: R$ 30,00 a fim de custear a preparação do material.

Possibilidade de hospedagem em São Paulo para os participantes.

Salve Maria!
Enio Liu
P.S.: Peço que por favor divulguem o evento a qualquer pessoa que conheçam que tenha interesse.

Historiadora judia desmente “cumplicidade” de Pio XII com nazistas

ROMA, (ACI/EWTN Noticias). - A historiadora judia Anna Foa, membro da Associação Europeia de Estudos Judeus, assinalou recentemente que os resultados das investigações revelam que muitos judeus se salvaram durante a II Guerra Mundial pela intervenção de importantes líderes da Igreja, particularmente o Papa Pio XII.
 

Ao participar de um congresso em Florença (Itália), entre os dias 19 e 20 de janeiro, Anna Foa, conforme informa o vaticanista Sandro Magister em seu blog Chiesa, indicou que os estudos mais atuais anulam “a imagem proposta nos anos sessenta de um Papa Pio XII indiferente ao destino dos judeus ou, inclusive, cúmplice dos nazistas".

A também professora de História Moderna na Universidade La Sapienza de Roma indicou que “os estudos dos últimos anos evidenciam cada vez mais o papel geral de proteção que a Igreja desempenhou em relação aos judeus durante a ocupação nazi da Itália”.

“De Florença, com o cardeal Dalla Costa, proclamado Justo em 2012, a Gênova com o padre Francesco Repetto, também ele Justo, a Milão com o cardeal Schuster, e assim por diante, naturalmente até Roma, onde a presença do Vaticano, além da existência das zonas extraterritoriais, permitiu a salvação de milhares de judeus”.

Estas obras “de asilo e salvação dos perseguidos”, indicou, não podiam ser fruto somente de “iniciativas a partir de baixo, mas estavam claramente coordenadas e permitidas, pelos vértices da Igreja”.

“Eu gostaria de ressaltar aqui que esta imagem mais recente da ajuda prestada aos judeus pela Igreja não surge de posições ideológicas ligadas ao catolicismo, mas, sobretudo, de investigações concretas sobre a vida dos judeus durante a ocupação, com a reconstrução de histórias de famílias ou de indivíduos. Em resumo, do trabalho de campo”.

A historiadora assegurou que casos de judeus refugiados em Igrejas e conventos aparecem “continuamente nas narrações dos sobreviventes”.

A pesquisadora lamentou que a discussão sobre Pio XII e os hebreus “freou a investigação durante muitos decênios, levando para o terreno ideológico cada tentativa de esclarecer os fatos históricos”.

Em meio da perseguição nazista, assinalou Anna Foa, “sacerdotes e hebreus compartilhavam o mesmo alimento”.

“As mulheres judias passeavam nos corredores dos conventos de clausura, e os judeus aprendiam a recitar o Pai-Nosso e vestiam o hábito como precaução em caso de irrupções nazistas e fascistas”.

Recordando a relação entre judeus e cristãos, que levou a muitos dos primeiros a batizar-se, e que em outros casos ocasionava diálogos respeitosos sobre as religiões, a professora hebreia assinalou que se tratou de uma “familiaridade nova e repentina, iniciada sem preparação pelas circunstâncias, em condições em que uma das duas partes era perseguida e corria o risco de morte e que necessitava, portanto, de maior ‘caridade cristã’, não se deu sem consequências para o início e a acolhida do diálogo”.

“Um diálogo que ocorreu muito mais tarde, certamente, e que se iniciou, sobretudo, em nível teórico. Trata-se de um diálogo de baixo, feito de compartilhar os alimentos juntos e de conversações sem pretensões, também para superar a ansiedade de uma relação desconhecida até esse momento”.

Foa recordou o caso de umas religiosas que em seu convento, em Roma, “acrescentavam bacon à sopa comum só depois de havê-la distribuído às hebreias, para quem tinham dado refúgio. Também esta é, em minha opinião, uma forma de diálogo de baixo”.


A historiadora lamentou que “em um momento que prevalecia a necessidade de esquecer a Shoah, este processo de diálogo foi bloqueado, em parte, porque por um lado os hebreus estavam tentando reconstruir seu próprio mundo e a própria identidade após a catástrofe e, por outro, os católicos pareciam ter retornado às posições tradicionais em que a esperança da conversão era mais forte que o respeito”.

“Nos inícios dos anos sessenta, com ‘O vigário’ de Hochhuth, sobre este processo se projetaria a sombra da lenda negra de Pio XII, com o resultado de obstruir e obscurecer a memória e o peso desse primeiro percurso comum”, indicou.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Escavações em Israel revelam igreja do período Bizantino

Nota do Blog -       Salve Maria!      Caríssimos irmãos, devido algumas atividades extras, nesse período de férias e o fato de termos poucos colaboradores, ficamos em falta com os senhores e senhoras nas postagens do nosso blog. Desde Já pedimos sinceras desculpas e nos comprometemos a deixar nosso blog mais atualizado, na medida do possível, nestes meses vindouros. Aproveitamos para pedirmos a colaboração de todos com digas e sugestões, afim de que nosso apostolado tenha um maior êxito visando sempre a maior Gloria de Deus e a salvação das almas.     Salve Maria.

Israel: escavações revelam igreja do período Bizantino

Jerusalém (RV) – Após três meses de escavações, funcionários da Autoridade para as Antiguidades de Israel revelaram uma igreja do período Bizantino, localizada no distrito de Lachish, no sul do País. A igreja, que abriga um magnífico mosaico no pavimento, foi descoberta durante escavações de preservação, antes do início da construção de um novo vilarejo agrícola naquela região. A igreja foi encontrada três metros abaixo da superfície. 

Daniel Varga - responsável pelas escavações junto com Davida Dagan - disse que outras construções ancestrais poderiam ser encontrados na colina - que no passado recebera o túmulo de um sheik – justamente pelo caráter particular da construção deste edifício sagrado numa área que já foi considerada sagrada. 

A basílica tem 22 metros de comprimento e 12 de largura e, como era costume no século VI, colunas de mármore foram usadas para criar três diferentes seções. Uma destas colunas, de uso secundário, foi achada em um edifício do período Muçulmano. Até agora já foram escavadas a nave, o átrio e a entrada.
No entanto, o achado mais fascinante foi o mosaico no pavimento. Realizado por um artista, retrata videiras que formam medalhões no centro. Estes medalhões contêm imagens de animais, inscrições ou símbolos cristãos. Entre os animais recriados no mosaico estão: um javali, dois ratos, uma girafa, uma zebra, um flamingo, uma perdiz, um leopardo, um urso, um coelho, uma gaiola contendo o que parecem ser pássaros, dois pavões e um camaleão. Um dos medalhões, no qual se acredita que havia a imagem de um ser humano, foi meticulosamente destruído. Varga acredita que os cristãos da época o tenham destruído, uma vez que eram contra a presença de imagens humanas na igreja durante o período Bizantino. 

O fato de que alguns dos animais retratados parecem estar saindo de seus medalhões, permite afirmar que a igreja seja datada da segunda metade do século VI, quando este tipo de representação era corrente entre os artistas de mosaico. 

Os arqueologistas, entretanto, ficaram desapontados por não terem encontrado nenhuma inscrição que contivesse o nome do local, já que o nome do assentamento que ali existia na era Bizantina também não é conhecido. Varga acredita que a igreja teria sido um centro espiritual regional que servia a muitas comunidades que viajavam entre Ashkelon e Jerusalém. 
“Encontramos outros tantos assentamentos, inclusive um muito grande próximo a Hamei Yoav, mas não encontramos uma igreja. Esta é, evidentemente, a maior igreja da região”, disse Saar Ganor, arqueologista da Autoridade para as Antiguidades do distrito de Ashkelon. (RB-JE)

 
Texto proveniente da
página do site da Rádio Vaticano

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Campanha para 2014 - Missa Tridentina em Todas as Dioceses

 
Para maiores informações entre em contato conosco pelo nosso Formulário de contato presente em nosso blog ou pelo nosso Email: defensoresdasagradacruz@hotmail.com
ou pela nossa página do Fac:
 
***
Dedicamos essa campanha ao Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Sermão de São Gregório Magno para a Epifania do Senhor

"Tendo nascido o rei dos céus perturbou-se o rei da terra porque a grandeza desse mundo se aniquila no momento em que aparece a majestade do céu. Mas nos ocorre perguntar: que razões houveram para que imediatamente nascido o rei neste mundo nosso Redentor fora anunciado pelos anjos aos pastores da Judéia, e aos magos do Oriente não fora anunciado por anjos senão por uma estrela, para que viessem adorá-Lo?

Porque aos judeus, como criaturas que usavam de sua razão, devia anunciar-lhes esta notícia um ser racional, isto é, um anjo; e os gentios, que não sabiam fazer uso de sua razão, deviam ser guiados ao conhecimento de Deus, não por meio de palavras, senão por meio de sinais. De aqui que dissera São Paulo: “As profecias foram dadas aos fiéis, não aos infiéis; os sinais aos infiéis, não aos fiéis”, porque àqueles foram dadas as profecias como fiéis, não aos infiéis, e a estes foi dado sinais como a infiéis, não aos fiéis.

Deve-se notar também que os Apóstolos pregaram nosso Redentor aos gentios, quando já era de idade perfeita; e que enquanto foi menino, que não podia falar naturalmente, é uma estrela que o anuncia; a razão é porque a ordem racional exigia que os pregadores nos dessem a conhecer com sua palavra o Senhor que já falava, e quando todavia não falava O pregassem muitos elementos.

Devemos considerar em todos esses sinais que foram dados tanto ao nascer quanto ao morrer do Senhor, quanto deve ter sido a dureza de coração de alguns judeus, que não chegaram a conhecê-Lo nem pelo dom da profecia, nem pelos milagres.

Todos os elementos têm dado testemunho de que veio seu Autor. Porque, em certo modo, os céus o reconheceram como Deus, pois imediatamente que nasceu o manifestaram por meio de uma estrela. O mar o reconheceu sustentando-o em suas ondas; a terra o conheceu por estremeceu ao ocorrer sua morte; o sol o conheceu ocultado à hora se sua morte o esplendor de seus raios; os penhascos e os muros o conheceram porque ao tempo de sua morte se romperam; o inferno o reconheceu restituindo os mortos que conservava em seu poder. E ao que haviam reconhecido como Deus todos os elementos insensíveis, não o quiseram reconhecer os corações dos judeus infiéis e mais duros que os mesmos penhascos, os quais ainda hoje não querem romper-se para penitência e recusam confessar ao que os elementos, com seus sinais, declaravam como Deus.

E ainda eles, para o cúmulo de sua condenação, sabiam muito antes que havia de nascer Aquele que depreciaram quando nasceu; e não só sabiam que iria nascer, como também sabiam o lugar de seu nascimento. Porque perguntados por Herodes, manifestaram este lugar que haviam aprendido das Escrituras. Referiram ao testemunho em que se manifesta que Belém seria honrada com o nascimento deste novo líder, para que sua mesma ciência servisse a eles de condenação e a nós de auxílio para que creiamos.

Perfeitamente os designou Isaac quando abençoou ao seu filho Jacó, pois estava cego e profetizando, não viu em aquele momento a seu filho, a quem tantas coisas predisse para sucessivo; isto é, porque o povo judeu, cheio do espírito de profecia e cego de coração, não quis reconhecer presente Àquele de quem tanto se havia predito.
Logo que soube Herodes do nascimento de nosso Rei, recorre à astúcia com o fim de não ser privado de seu reino terreno. Suplica aos magos que lhe anunciassem ao seu retorno o lugar onde estava o Menino; simula que quer ir também a adorá-Lo, para que se pudera tê-Lo nas mãos pudesse tirar-lhe a vida. Mas de que vale a malícia dos homens contra os desígnios de Deus? Está escrito: “Não há sabedoria, nem prudência, nem conselho contra o Senhor”. Assim, a estrela que aparecera guiou os magos, que encontram o Rei nascido, Lhe oferecem seus dons e são avisados em sonhos para que não voltassem a ver Herodes, e desta maneira sucedeu que Herodes não pudera encontrar a Jesus, a quem buscava.
Quem está representado em Herodes senão os hipócritas, os quais, parecendo que suas obras buscam o Senhor, nunca merecem encontrar-Lo?

Os magos oferecem ouro, incenso e mirra: o ouro convém ao rei, o incenso se punha nos sacrifícios oferecidos a Deus; com a mirra eram embalsamados os corpos dos defuntos. Por conseguinte, com suas oferendas místicas pregam os magos ao que adoram: com ouro, como rei; com incenso como Deus, e com a mirra, como homem mortal.

Há alguns hereges que crêem em Jesus como Deus, porém negam seu reino universal; estes Lhe oferecem incenso, mas não querem oferecer-Lhe também o ouro. Há outros que Lhe consideram como rei, porém não O reconhecem como Deus: estes Lhe oferecem ouro e recusam oferecer-Lhe o incenso. E há alguns que o confessam como Deus e como rei, porém negam que tomou para Si a carne mortal: estes Lhe oferecem incenso e ouro, e recusam oferecer-Lhe a mirra da mortalidade.

Ofereçamos nós ao Senhor recém-nascido ouro, confessando que reina em todas as partes; ofereçamos-Lhe incenso, crendo que Aquele que se dignou aparecer no tempo era Deus antes de todos os séculos; ofereçamos-Lhe mirra, confessando que Aquele de quem cremos que foi impassível em sua divindade, foi mortal por ter assumido nossa carne.

No ouro, incenso e mirra pode dar-se outro sentido. Com o ouro se designa a sabedoria, segundo Salomão, o qual disse: “um tesouro desejável descansa na boca do sábio”. Com o incenso que se queima em honra de Deus se expressa a virtude da oração, segundo o Salmista, o qual diz: “Dirija-se até vós a minha oração como o incenso”. Pela mirra se representa a mortificação de nossa carne; daqui que a Santa Igreja diga dos trabalhadores que trabalham até a morte por Deus: “Minhas mãos destilaram mirra”.

Por conseguinte, oferecemos ouro ao nosso rei recém-nascido se resplandecemos em sua presença pela claridade da sabedoria celestial. Oferecemos-Lhe incenso, se consumimos os pensamentos carnais, por meio da oração, na ara de nosso coração, para que possamos oferecer ao Senhor um aroma suave por meio dos desejos celestiais. Oferecemos-Lhe mirra, se mortificamos os vícios da carne por meio da abstinência. A mirra, como foi dito, é um preservativo contra a putrefação da carne morta. A putrefação da carne morta significa a submissão deste nosso corpo mortal ao ardor da impureza, como disse o profeta de alguns: “Os jumentos apodreceram em seu próprio esterco” (Joel 1, 17). O entrar em putrefação os jumentos em seu próprio esterco significa os homens terminarem sua vida em torno da luxúria. Por conseguinte, oferecemos a mirra a Deus quando preservamos a este nosso corpo mortal da podridão da impureza por meio da continência.

Ao voltar os magos a sua terra por outro caminho distinto do que os trouxe nos manifestam uma coisa de suma importância. Pondo em obra a advertência que receberam em sonho, nos indicam que é o que nós devemos fazer.

Nossa pátria é o paraíso, ao que não podemos chegar, tendo conhecido Jesus, pelo caminho de onde viemos. Temos nos separado de nossa pátria pela soberba, pela desobediência, seguindo o chamariz das coisas terrenas e saboreando o manjar proibido; é necessário que voltemos a ela, chorando, obedecendo, desprezando as coisas terrenas e refreando os apetites de nossa carne. Por conseguinte, voltemos a nossa pátria por um caminho muito distinto, porque temos nos separado dos gozos do paraíso com os deleites da carne, volvemos a eles por meio de nossos lamentos.

Daqui que seja necessário, irmãos caríssimos, que com muito temor e tremor ponhamos sempre diante de nossa vista, por uma parte as culpas de nossas obras, e por outra o estreito juízo que nos há de submeter. Pensemos na severidade que há de vir o justo juiz, que nos ameaça com um estreitíssimo juízo e agora está oculto a nossa vista; que ameaça com severos castigos aos pecadores, e, não obstante, todavia os espera: que está dilatando sua segunda vinda para encontrar menos a quem condenar.
 
Castiguemos com o choro nossas culpas, e evitemos sua presença por meio da confissão.

Não nos deixemos enganar por prazeres fugazes, nem tampouco nos deixemos seduzir por vãs alegrias. Não tardaremos em ver ao juiz que disse “Ai de vós que agora ris, porque gemereis e chorareis”. Por isso disse Salomão: “O riso será mesclado com a dor, e o fim dos gozos será ocupado pelo choro”. E em outro lugar disse:“Considerei o riso como um erro, e disse ao gozo: por que enganas em vão?”.

Temamos muito os preceitos de Deus, se com sinceridade celebramos as festas de Deus; porque é um sacrifício muito grato a Deus a aflição dos pecados como disse o Salmista: “O espírito atribulado é um sacrifício para Deus”. Nossos pecados antigos foram apagados ao receber o batismo; mas depois de recebido cometemos muitíssimos, porém não podemos voltar a nos lavar com sua água.

Posto que manchamos nossa vida depois de recebido o batismo, batizemos com lágrimas nossa consciência, para que, voltando à nossa pátria por caminho distinto do que levamos, nós que nos separamos dele pelo atraídos pelos bens terrenos voltemos a ele cheio de amargura pelos males que cometemos, com o auxílio de Nosso Senhor Jesus Cristo."

São Gregório I Magno, Papa e Doutor da Igreja. Homilia X in Evangelia.Tradução livre da tradução castelhana extraída de: STATVERITAS.

 

Uma cena comum, mas não tão comum em nossos dias

A Triste realidade do nosso país
 
Um assaltante não identificado morreu e outro saiu ferido num confronto com uma guarnição do Batalhão da Polícia de Choque, por volta das 15 horas da segunda-feira dia 28 de março de 2011, depois de assaltarem um comerciante da Cidade Satélite, na Zona Sul de Natal, que ia entrar na agência do Bradesco, vizinho ao Itaú, na esquina da avenida Libânea Galvão Pereira com a marginal da avenida Salgado Filho, no Alto da Candelária.
O Misericordioso serviço da Igreja

 
Pe. Tarcísio Cinear apareceu no local, pedindo à Polícia para dar a extrema-unção ao bandido, no que foi consentido depois de insistir por umas cinco vezes.
***
Nota do Blog: O fato ocorreu no ano de 2011, mas só chegou ao nosso conhecimento hoje e não poderíamos deixar de postar em nosso Blog.
 
 
 

Epifania : Antiga bênção das casas e a sagrada inscrição nas portas

20 + C + M+ B + 14
 
Por ocasião da Solenidade da Epifania, havia, no antigo Ritual Romano, o louvável costume de abençoar ouro, incenso e mirra, e giz, bem como a casa dos fiéis. 
No Ritual da bênção marcava-se, por cima da porta de casa, do lado exterior, a seguinte inscrição com giz abençoado: 20+C+M+B+14.

O 20 e o 14 representam 2014, o ano em que nos encontramos. O “C M B” representam “Christus Mansionem Benedicat” – Cristo Abençoe esta Casa, e cada letra é intercalada com uma cruz (e a estrela, que lembra a que guiou os Magos).

A sigla CMB também era entendida como representando os três reis magos (sendo que Gaspar é também escrito Caspar Melchior e Baltazar) e interpretado como uma forma de receber os magos em nossa casa.

Tradicionalmente esta inscrição deve permanecer até ao Pentecostes.

***
 
Segue a Bênção:
 
Benedictio cretae
in Festo Epiphaniae

V/. Adjutorium nostrum in nomine Domini. 

R/. Qui fecit caelum et terram.  
 
V/. Dominus vobiscum.  
 
R/. Et cum spiritu tuo. 

Bene + dic, Domine Deus, creaturam istam cretae : ut 
sit salutaris humano generi; et praesta per 
invocationem nominis tui sanctissimi, ut, quicumque ex ea 
sumpserint, vel in ea in domus suae portis scripserint 
nomina sanctorum tuorum  Gasparis, Melchioris et 
Baltassar, per eorum intercessionem et merita, corporis 
sanitatem, et animae tutelam percipiant. Per Christum 
Dominum nostrum.  R/.  Amen. 

Et aspergatur aqua benedicta. 

 

Créditos a D. Bento Albertin, OSB

sábado, 4 de janeiro de 2014

Documento original encontra-se em exposição no Santuário de Fátima

Manuscrito da Terceira Parte do Segredo escrito há 70 anos

 Faz hoje setenta anos que o manuscrito com a terceira parte do chamado Segredo de Fátima foi escrito pela Irmã Lúcia. Pertença do Arquivo Secreto da Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, o manuscrito encontra-se atualmente em Fátima, na exposição temporária “Segredo e Revelação”, mostra que pode ser visitada, diariamente, até final de outubro, entre as 9:00 e as 19:00, na zona da Reconciliação da Basílica da Santíssima Trindade, no Santuário de Fátima. Inaugurada a 30 de novembro de 2013, a exposição registou até ao dia de ontem, 2 de janeiro de 2014, 11 220 visitantes.

Entretanto, por iniciativa do Santuário de Fátima, decorre o estudo diplomático e paleográfico do documento, a cargo de Maria José Azevedo Santos, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, especialista em Diplomática e Paleografia.
 
A história do documento

Em declarações divulgadas na manhã de hoje pela Postulação para a Causa da Causa de Beatificação da Serva de Deus Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, é recordado o contexto do pedido à irmã Lúcia: “Nossa Senhora voltou a mostrar a Lúcia o cenário apocalíptico da terceira parte do Segredo, porém com alguma diferença, a vidente apenas foi autorizada por Nossa Senhora a escrever na carta aquilo que viu e não aquilo que lhe foi dado entender”.

Segundo os arquivos do Serviço de Estudos e Difusão (SESDI) do Santuário de Fátima, a 3 de janeiro de 1944, em Tui, Espanha, Lúcia redige o documento com o conteúdo relativo à terceira parte do Segredo, respeitante à revelação da Virgem Maria a 13 de julho de 1917. O documento é, posteriormente, enviado ao bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, num sobrescrito lacrado.

De entre os vários momentos por que passou o documento até aos dias de hoje, passíveis de serem conhecidos através da cronologia mostrada na exposição “Segredo e Revelação”, o SESDI sublinha a entrega do Manuscrito à Nunciatura Apostólica de Lisboa, por D. João Pereira Venâncio, bispo auxiliar de Leiria, a 1 de março de 1957. 

No mês seguinte, a 4 de abril, o manuscrito da terceira parte do Segredo de Fátima chega ao Vaticano, sendo guardado no Arquivo Secreto do Santo Ofício, atual Congregação para a Doutrina da Fé. 

Dois anos depois, a 17 de agosto, o Papa João XXIII solicita que o documento lhe seja levado, mas decide não revelar o seu teor.  

Ainda de acordo com a investigação do SESDI, a 27 de março de 1965, o Papa Paulo VI lê o documento, tomando dessa forma conhecimento da terceira parte do Segredo de Fátima; depois de o ler, decide que o mesmo não seja revelado. 

João Paulo II agiria primeiramente da mesma forma. Entre 18 de julho e 11 de agosto de 1981, uns meses após o atentado de que fora alvo em Roma (13.05.1981), o Papa lê o texto original do documento, assim como a tradução do mesmo em italiano, mas decide reenviá-lo para o Arquivo Secreto da Congregação para a Doutrina da Fé.

Só dezanove anos depois, ainda no pontificado de João Paulo II, a 13 de maio de 2000, o cardeal Angelo Sodano, no final da celebração da beatificação de Francisco e Jacinta Marto, que decorreu no Santuário de Fátima, revelaria o conteúdo da terceira parte do Segredo. 

Assim como a sua revelação, também a interpretação do conteúdo do manuscrito ficou ao cuidado da Igreja. A 26 de junho do ano 2000, a Congregação para a Doutrina da Fé apresenta publicamente a terceira parte do Segredo de Fátima, numa conferência de imprensa realizada no Vaticano, presidida pelo cardeal Joseph Ratzinger, autor do comentário teológico. 

LeopolDina Simões 
 
 Manuscrito da Terceira Parte do Segredo é objeto de estudo diplomático e paleográfico

Maria José Azevedo Santos é a primeira a destacar a decisão histórica do Santuário de Fátima ao solicitar o estudo diplomático e paleográfico do Manuscrito da Terceira Parte do Segredo de Fátima.

O estudo ainda decorre, mas a investigadora, em entrevista ao jornal oficial do Santuário de Fátima “Voz da Fátima” (edição de 13.01.2014), adianta algumas conclusões e especificidades do documento: trata-se do manuscrito autêntico, foi escrito em papel de carta sem marca de água e, curiosamente, não tem a assinatura da Irmã Lúcia. 


Irmã Lúcia
Professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, especialista em Diplomática e Paleografia, Maria José Azevedo Santos foi convidada a analisar, à luz destas duas ciências, o Manuscrito da Terceira Parte do Segredo de Fátima, propriedade do Vaticano, atualmente confiado ao Santuário de Fátima que o colocou na exposição temporária “Segredo e Revelação”, patente ao público até o final de outubro de 2014. 
 
“Sou mulher, leiga. O convite que me foi feito mostra que a Igreja está aberta a receber contributos das áreas científicas nas quais trabalho, aliás, fundadas por religiosos no século XVII”, afirmou ao destacar “o grande interesse na aliança entre a abordagem pastoral e teológica”, que deixa “para os teólogos e para os que estudam a vida da Irmã Lúcia”, e esta abordagem pelas ciências da Diplomática e Paleografia.

“Este meu testemunho é verdadeiramente um testemunho singular, porque o encargo que recebi é também singular. Fui a primeira mulher leiga a entrar em contato direto com o documento em apreço, com prévia autorização de Sua Santidade, o Papa Francisco, concedida aos delegados do Bispo de Leiria-Fátima”, destaca a investigadora.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Jesus envolto em faixas.

 Et pannis eum involvit — “Envolveu-o em faixas” (Luc. 2, 7).

Sumário. Imaginemos ver a Maria que toma com reverência seu divino Filho, o adora, o beija e em seguida o envolve nas faixas. O santo Menino oferece obediente as mãos e os pés, e sentindo que lhe apertam as faixas, pensa nas cordas com que um dia será amarrado no Horto. Se um Deus assim se deixa enfaixar, não será por ventura justo que nos deixemos ligar também com os laços de seu amor, e nos desfaçamos de qualquer afeto terreno?

I. Imaginai verdes a Maria que, depois de ter dado à luz seu divino Filho, O toma com reverência nos braços, adora-O primeiro como seu Deus, e em seguida O enfaixa estreitamente:  Membra pannis involuta, Virgo Mater alligat (1). Vêde como o Menino Jesus obediente oferece as mãozinhas, oferece os pés e se deixa enfaixar. Ponderai que, cada vez que o divino Infante se deixava enfaixar, pensava nas cordas com que um dia devia ser amarrado no Horto, naquelas que depois deviam prendê-lo à coluna, e nos pregos que deviam fixá-lo na cruz. Pensando assim, deixava-se de boa mente enfaixar, a fim de livrar as nossas almas dos laços do inferno. 


Jesus, estreitado nas faixas, volve-se a nós e convida-nos a que nos unamos consigo pelos doces laços do amor.Volvendo-se em seguida a seu Eterno Pai diz: “Meu Pai, os homens abusaram de sua liberdade e, revoltados contra Vós, tornaram-se escravos do pecado. Para compensar a sua desobediência, quero ser envolto e estreitado nestas faixas. Assim ligado, ofereço-Vos a minha liberdade, a fim de que o homem fique livre da escravidão do demônio. Aceito estas faixas, que me são caras, e mais caras ainda, porque são símbolos das cordas com que, desde agora, me ofereço a ser um dia amarrado e conduzido à morte para salvação dos homens.” 


Vincula illius alligatura salutaris (2) — “Os seus vínculos são ligadura de salvação”. As faixas de Jesus foram as ligaduras saudáveis para curar as chagas de nossas almas. — Portanto, ó meu Jesus, quisestes ser estreitamente envolto em faixas por meu amor, e eu me recusarei a fazer-me ligar pelos laços do vosso amor? Terei para o futuro ainda a coragem de me desligar dos vossos laços tão suaves e amáveis, para me fazer escravo do inferno? Meu Senhor, por amor meu estais ligado nesta manjedoura, quero sempre estar ligado em união convosco. 


II. Dizia Santa Maria Madalena de Pazzi, que as faixas que nos devem prender são a firme resolução de nos unirmos a Deus pelo amor, desfazendo-nos ao mesmo tempo do afecto a qualquer coisa que não seja Deus. Parece que é para este mesmo fim que o nosso amante Jesus se quis deixar ficar, por assim dizer, ligado e prisioneiro, no Santíssimo Sacramento do altar, debaixo das espécies sacramentais, a fim de fazer as almas suas diletas, prisioneiras de seu amor.  


Meu amado Menino, como poderei temer os vossos castigos, já que Vos vejo ligado estreitamente nas faixas, como que privando-Vos do poder de levantar as mãos para me punir? Com as faixas me dais a entender que não me quereis castigar, se eu quero quebrar os laços dos meus vícios e ligar-me a Vós. Sim, meu Jesus, quero rompê-los. Pesa-me de toda a minha alma, de me ter separado de Vós pelo abuso da liberdade que me destes. Vós me ofereceis outra liberdade mais bela, a que me livra do cativeiro do demônio e me faz aceitar no número dos filhos de Deus. Por meu amor Vos deixastes atar com essas faixas; eu quero ser cativo do vosso grande amor. Ó laços ditosos, ó formosas insígnias de salvação, que ligais as almas a Deus, por piedade, ligai também o meu pobre coração. Ligai-o tão fortemente, que para o futuro nunca mais se possa apartar do amor ao Bem supremo. Jesus meu, amo-Vos, a Vós me quero ligar, e Vos dou todo o meu coração, toda a minha vontade. Não quero mais deixar-Vos, ó meu amado Senhor.


Ó meu Salvador, para pagar o que eu estava devendo, quisestes não somente Vos deixar enfaixar por Maria, mas também permitistes que os algozes Vos ligassem como a um réu, e assim ligado Vos levassem pelas ruas de Jerusalém, para ser conduzido à morte, como um cordeiro que vai ao matadouro; quisestes ser pregado na cruz, e não a deixastes senão depois de deixardes de viver! Não permitais que ainda me separe de Vós, e assim fique outra vez privado da vossa graça e do vosso amor. — O Maria, vós que um dia ligastes com as faixas vosso Filho inocente, ligai-me agora a vosso Jesus, a mim pecador, a fim de que não me afaste mais de seus pés, e um dia chegue a ter a ventura de entrar naquela pátria beata, onde já livre de todo temor nunca mais poderei separar-me do seu santo amor. (II 366).

 
***

1. Hymn. s. Crucis Pangue lingua.
2. Ecclus. 6, 31.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 114 - 116.)